segunda, 06 de abril de 2026
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AS CHAPAS E A DISPUTA PELO GOVERNO DA BAHIA EM 2026: O JOGO ESTÁ JOGADO

Redação - 06/04/2026 08:58 - Atualizado 06/04/2026

Com as chapas definidas, a eleição para o governo da Bahia deixa de ser um exercício de especulação e passa a ser um confronto entre duas arquiteturas políticas bem delineadas. O governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, manteve o vice Geraldo Jr. E terá dois ex-governadores como candidatos ao senado. Do lado da oposição o ex-prefeito ACM Neto trouxe o prefeito de Jequié para vice e terá como postulantes ao senado João Roma e o senador Angelo Coronel.

A chapa do grupo governista concentra o núcleo duro do poder político baiano das últimas duas décadas e mantém a aliança partidária que lhe dá sustentação. Manter o MDB foi o ponto que comandou a escolha por Geraldo Jr.

 A chapa busca manter a base altamente capilarizada no interior, sustentada por prefeitos e lideranças vinculadas ao PSD, ao MDB e outros partidos e à força de Wagner e Rui. E manteve o domínio do tempo de TV. Jerônimo deve dispor de algo entre 50% e 60% do tempo total de propaganda, o que lhe permite impor narrativa e presença diária na campanha.

Do outro lado, ACM Neto conseguiu montar uma chapa mais funcional que a de 2022 e com foco mais centrado no interior e no bolsonarismo.  Zé Cocá e Angelo Coronel ampliam a margem interiorana e João Roma acena para o bolsonarismo.

Não se sabe exatamente a força eleitoral de Zé Cocá e Coronel, mas a presença deles é o fato novo mais relevante.  A presença deles vai em busca da rede política interiorana que ACM Neto anseia.

A chapa de ACM Neto deve contar com algo entre 30% e 40% do tempo de TV. É inferior à chapa governista, mas suficiente, se for feita uma campanha eficiente e segmentada. A presença de João Roma mantém o vínculo com o bolsonarismo, mas o fator Ronaldo Caiado pode trazer um estresse que pode ser prejudicial para a chapa. A existência de dois pólos à direita — um mais alinhado ao bolsonarismo e outro buscando uma posição mais ampla — pode gerar tensões e dificultar a construção de uma frente coesa contra o grupo governista.

Mas o jogo está jogado. O que as chapas revelam é que ambos os lados já fizeram suas apostas. O grupo de Jerônimo aposta na continuidade, na força de Lula e na solidez de sua base. O grupo de ACM Neto aposta na recomposição, na ampliação territorial e em uma engenharia política que acredita na tendência mais a direita do eleitorado.

O jogo está jogado e  ambos os candidatos têm clareza sobre seus pontos fracos. Jerônimo precisa melhorar sua avaliação de governo; ACM Neto precisa crescer no interior. A campanha será, em grande medida, a tentativa de cada um de neutralizar sua própria vulnerabilidade antes de explorar a do adversário. Jerônimo vai focar no prestígio que o presidente Lula tem na Bahia e colar nele. ACM Neto aposta na ideia de mudança e vai colar na disseminação de uma chapa de direita.

A hora é de ir a campo. E observar com atenção os próximos movimentos e pesquisas, que começarão a revelar não apenas intenções de voto, mas a consistência e/ou fragilidade das estratégias em curso. (EP- 06/04/2026)

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