

Lideranças dos caminhoneiros decidiram não deflagrar uma greve nacional da categoria por conta da alta no preço do litro do diesel. A decisão foi tomada em assembleia da categoria na noite desta quinta-feira (19), em Santos (SP). A decisão ocorre após o Governo Federal adotar medidas para garantir o pagamento do piso mínimo na contratação de fretes.
Uma medida provisória (MP) foi publicada para forçar o cumprimento da tabela mínima. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem sete dias para regulamentar os procedimentos de fiscalização, mas as regras já estão valendo. Caso o valor do frete seja inferior ao piso mínimo estabelecido, o sistema não emitirá o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), o que impede a carga de sair da origem. O descumprimento pode levar a multas de até R$ 10 milhões e ao cancelamento do registro de transportadoras.
Representantes dos caminhoneiros vão avaliar a situação e se reunirão no próximo dia 26 de março para determinar se farão ou não uma paralisação em todo o país. “Agora a gente vai trabalhar em conjunto com todas as lideranças, a partir de segunda-feira, reunião em Brasília, para a gente colocar as emendas dentro da MP para proteger a categoria”, afirmou Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores.
A movimentação pela paralisação ganhou força com o aumento do preço do diesel causado pela guerra no Oriente Médio. O combustível sofreu um aumento de mais de 20% nas últimas três semanas. No entanto, além do custo do combustível, os caminhoneiros reclamavam que as empresas desrespeitavam a tabela do frete criada em 2018.
Na quarta-feira (25), as lideranças da categoria vão se reunir com Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, para discutir o tema. O governo negocia também com os governadores para que deixem de cobrar o ICMS – imposto estadual – para ajudar a segurar o preço do diesel.