terça, 17 de março de 2026
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ALTA DO DIESEL PRESSIONA TRANSPORTE PÚBLICO NA BAHIA E ACENDE ALERTA EM CIDADES COMO SALVADOR E ILHÉUS

VICTOR OLIVEIRA - 17/03/2026 18:59

O aumento no preço do diesel tem pressionado o custo de operação do transporte público em cidades baianas e acendido o alerta entre gestores e concessionárias. O combustível é a principal fonte energética da frota de ônibus e representa uma das maiores despesas das empresas responsáveis pelo serviço.

Em Ilhéus, no sul da Bahia, a situação já gerou questionamentos da população após denúncias de ônibus circulando sem ar-condicionado. Em nota, a prefeitura informou que acionou a concessionária responsável para esclarecer o caso.

Segundo a Prefeitura de Ilhéus, por meio da Autarquia de Transporte, Trânsito e Mobilidade (Sutram), o contrato atual estabelece que, entre os 60 veículos de cada empresa, pelo menos 30 devem contar com sistema de ar-condicionado.

A gestão municipal informou que a empresa Atlântico, uma das responsáveis pelo transporte coletivo da cidade, explicou que vinha operando com 40 ônibus equipados com ar-condicionado, mas que 10 veículos extras foram retirados recentemente. Ainda de acordo com a concessionária, a decisão foi motivada pelo aumento no preço do combustível, que elevou os custos operacionais.

A prefeitura afirmou que segue acompanhando a situação e reforçou que a Sutram mantém fiscalizações para garantir o cumprimento do contrato e a qualidade do serviço prestado à população.

Situação em Salvador

Na capital baiana, até o momento não há anúncio oficial de redução de frota ou medidas emergenciais semelhantes às registradas em outras cidades brasileiras. No entanto, especialistas do setor avaliam que a alta dos combustíveis pode pressionar ainda mais a conta do transporte público de Salvador.

O diesel continua sendo a principal fonte energética da frota de ônibus da cidade. Assim, aumentos no preço do combustível tendem a elevar o custo das operações, pressionando contratos, subsídios públicos e o equilíbrio econômico-financeiro das concessionárias.

Outro fator que pesa na equação é a estrutura tributária. A Bahia possui uma carga tributária considerada elevada sobre combustíveis quando comparada a alguns outros estados brasileiros. Diferentemente de regiões onde empresas de transporte público contam com isenções ou regimes especiais de compra de combustível, no estado baiano os tributos continuam sendo cobrados normalmente sobre o diesel utilizado nas operações.

Foto: Itamar dos Santos

Subsídio municipal

Para ajudar a manter o funcionamento do sistema e evitar aumentos maiores na tarifa, a Prefeitura de Salvador tem adotado a política de subsídio ao transporte público.

Atualmente, o município destina R$ 67 milhões ao sistema de transporte coletivo, valor aprovado pela Câmara Municipal. Desse total, R$ 63 milhões são direcionados às concessionárias de ônibus e R$ 4 milhões ao subsistema complementar, conhecido como “amarelinhos”.

Além desse aporte anual, a prefeitura também cobre parte da diferença entre o custo real da operação e o valor pago pelos passageiros. Estimativas do setor apontam que o custo técnico do sistema gira em torno de R$ 6,19 por passageiro, enquanto a tarifa paga pelo usuário é de cerca de R$ 5,60.

A diferença, de aproximadamente R$ 0,59 por viagem, é compensada pelo município como forma de garantir o equilíbrio financeiro do sistema e evitar reajustes ainda maiores na tarifa.

Especialistas avaliam que, caso o preço do diesel continue em alta, a tendência é de maior pressão sobre as prefeituras, que podem ter que ampliar os subsídios ou renegociar contratos com as empresas operadoras para manter a oferta de ônibus nas cidades.

Foto: Divulgação

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