

“O que está envelhecido na política é essa lógica de oligarquia e de herdeiros do poder”, afirmou Rui Costa ao se referir ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), em entrevista à rádio Metrópole. Rui atacou o que chamou de “modelo de oligarquia” ainda presente no país. “O que está velho e cansado é esse conceito de oligarquia, de herança de poder”, afirmou, ao criticar grupos políticos tradicionais e o uso de estruturas de mídia para perpetuação no comando.
Para rebater os ataques do adversário ao governador Jerônimo Rodrigues, o ex-ministro recorreu a comparações entre promessas de campanhas passadas de ACM Neto e indicadores atuais de Salvador. Segundo ele, vídeos de 2012 mostram compromissos com a redução da mortalidade infantil e ampliação da atenção básica. “Depois de 16 anos governando Salvador, a cidade é a terceira pior capital em mortalidade infantil”, disse, atribuindo o cenário à “péssima assistência pré-natal”.
Rui também questionou a destinação por parte do grupo de ACM Neto na prefeitura de recursos obtidos com a venda de terrenos públicos. “Venderam os terrenos valiosos, mas o dinheiro não foi para educação”, declarou, citando rankings que colocariam Salvador entre os piores desempenhos em educação infantil.
Na saúde, o ex-ministro destacou promessas de universalização da atenção básica e construção de unidades. “Hoje, 40% da população não tem acesso a posto de saúde”, afirmou. Ele mencionou ainda que apenas cinco centros de exames foram entregues após mais de uma década, “com filas e dificuldade de atendimento”.
Rui ainda associou o grupo adversário a denúncias recentes, citando investigações e episódios envolvendo figuras políticas ligadas ao União Brasil. “É o mesmo grupo que coloca o ‘Rei do Lixo’ na executiva nacional do partido”, afirmou, mencionando áudios atribuídos à Polícia Federal sobre negociações irregulares envolvendo cargos públicos.
Pré-candidato ao Senado, Rui Costa também fez referência a suspeitas de uso indevido de recursos na educação, classificando o projeto Pé na Escola, criado por ACM Neto, como “mais parece o pontapé na educação”. Para o ex-ministro, os casos reforçam críticas ao modelo político que, segundo ele, “despreza a população mais pobre e se sustenta em velhas práticas”.
Fotos: Diego Mascarenhas