

A Câmara Municipal de Salvador realiza na próxima terça-feira (10), às 9h, uma audiência pública para discutir a construção do Plano Municipal de Segurança Pública da capital baiana. O tema está em tramitação na Casa por meio do Projeto de Lei nº 554/2025, enviado pelo Executivo.
A atividade foi convocada pelo vereador Hamilton Assis (PSOL) e será realizada no Centro de Cultura da Câmara. A proposta é reunir especialistas, representantes de movimentos sociais, gestores públicos e membros da sociedade civil para debater estratégias de prevenção à violência e proteção social na cidade.
Segundo o parlamentar, o objetivo do encontro é ampliar o debate público sobre o plano e incorporar diferentes perspectivas na formulação das políticas de segurança voltadas aos bairros de Salvador. Presidente da Comissão das Infâncias e Adolescência da Câmara, Assis afirma que o debate precisa considerar as desigualdades estruturais presentes na sociedade.
“Os números da violência no Brasil mostram um retrato cruel: quem mais morre são jovens negros e pobres das periferias. Precisamos que o plano de segurança não sirva a um modelo pautado no racismo estrutural e cruel. Nove em cada dez jovens assassinados em Salvador são negros, aponta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). E a Bahia lidera o ranking de letalidade de jovens negros vítimas da violência policial. Então, quando falamos de segurança, esse atravessamento tem que ser pensado com o olhar atencioso de raça, classe e gênero também”, defende o vereador.
Ele também argumenta que o enfrentamento da violência exige políticas públicas mais amplas do que ações repressivas.“Segurança pública não se faz apenas com repressão. É preciso investir em prevenção, direitos e políticas sociais que enfrentem as desigualdades que alimentam a violência”, destacou.
De acordo com a organização, a audiência será aberta ao público e deve reunir sugestões para subsidiar a elaboração do plano municipal, com foco em participação social e integração entre diferentes áreas da gestão pública. Assis afirma que o debate precisa envolver trabalhadores e moradores que convivem diariamente com os impactos da violência urbana.
“Contamos com a presença das trabalhadoras de call center que saem tarde do trabalho e utilizam transporte público, das professoras e professores que possuem aulas paralisadas por conta da violência urbana, com as e os profissionais de transporte público, com quem vive a cidade como um todo. Esperamos vocês lá”, convida o vereador.
Foto: Reginaldo Ipê/CMS