

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, fortalece as investigações conduzidas pelo colegiado no Senado.
Segundo o parlamentar, a segunda prisão do empresário e as recentes revelações sobre a existência de uma suposta milícia privada ligada ao banqueiro indicam conexões com atividades de crime organizado. De acordo com as investigações, o grupo teria sido utilizado para ameaçar concorrentes e jornalistas, além de acessar dados sigilosos e manter contatos com integrantes do alto escalão do Banco Central do Brasil e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A CPI deverá votar na próxima quarta-feira (11) requerimentos para convocação de investigados, quebra de sigilos e acesso a informações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master.
Entre os pedidos em análise estão a quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático de pessoas apontadas como integrantes do esquema. Um dos nomes citados é o de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, além de outros supostos membros da chamada milícia privada.
De acordo com Alessandro Vieira, a prisão dos envolvidos e a revelação do grupo conhecido como “Turma de Vorcaro” reforçam as suspeitas investigadas pela comissão.
Segundo o senador, os documentos obtidos por meio das quebras de sigilo já começaram a chegar à CPI e devem ajudar a esclarecer a estrutura do suposto esquema criminoso.
Possíveis convocações
Os integrantes da comissão também pretendem convocar ex-integrantes do Banco Central que, segundo as investigações, teriam relação com o caso. Entre os nomes citados estão o ex-diretor de Fiscalização da instituição, Paulo Sérgio de Souza, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Bellini Santana. Ambos já foram afastados de suas funções.
A CPI também deve ouvir pessoas apontadas como integrantes do grupo ligado ao banqueiro, como a secretária Ana Claudia Paiva, indicada como operadora financeira do esquema, e o policial federal aposentado Marilson da Silva.
A expectativa dos senadores é que as novas diligências ajudem a esclarecer a atuação do grupo e possíveis conexões com estruturas do crime organizado.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado