

O setor de alimentação fora do lar iniciou o ano sob impacto direto da perda de ritmo da economia. Segundo pesquisa da Abrasel, 23% das empresas operaram com prejuízo em janeiro, alta expressiva em relação aos 16% registrados em dezembro. No mesmo período, o percentual de negócios com lucro recuou de 47% para 41%, enquanto 36% permaneceram em equilíbrio.
A retração aparece também no faturamento. Para 57% dos empresários, a receita de janeiro foi menor do que a de dezembro de 2025. Apenas 25% registraram crescimento, enquanto 17% apontaram estabilidade e 1% não existia no período anterior. O dado indica que a desaceleração não se limita à margem, mas já alcança o volume de vendas, afetando diretamente o caixa das empresas.
O cenário dialoga com os indicadores macroeconômicos. De acordo com o IBGE, o consumo das famílias encerrou o quarto trimestre de 2025 estável (0%) frente ao trimestre anterior. No acumulado do ano, a alta foi de 1,3%, bem abaixo dos 5,1% registrados em 2024. Esse resultado, associado ao patamar elevado dos juros, trouxe sinais de redução no dinamismo da economia e atingiu diretamente segmentos dependentes da renda disponível, como os bares e restaurantes.
Margens comprimidas e confiança em queda
Além da diminuição da receita, o setor enfrenta dificuldades para recompor custos. Ainda segundo a pesquisa, 31% dos empresários afirmam não conseguir reajustar os preços do cardápio. Outros 38% aplicaram aumentos apenas para acompanhar a inflação, 20% reajustaram abaixo dela e somente 11% conseguiram corrigir valores acima da variação inflacionária.
A limitação no repasse de preços, em um ambiente de consumo enfraquecido, intensifica a compressão das margens e amplia a vulnerabilidade financeira dos estabelecimentos. O contexto coincide com a queda de 0,7 ponto no Índice de Confiança Empresarial do setor de serviços em fevereiro, sinalizando maior cautela e expectativas mais moderadas para os próximos meses.
“O setor responde rapidamente às variações do consumo. Quando a renda das famílias perde força e o crédito fica mais caro, o impacto aparece de imediato no movimento dos estabelecimentos”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel. “O aumento do número de empresas operando no vermelho acende um alerta para o risco de um ciclo mais apertado no setor. Ainda assim, este é apenas o início de um ano que traz diversas oportunidades, como vários feriados e eleições, que podem ajudar a compensar um começo de ano mais fraco do que o esperado. Também teremos a Copa do Mundo no meio do ano, com horários de jogos do Brasil na primeira fase muito propícios para os estabelecimentos. Vai ser uma grande festa e uma oportunidade para aquecer o movimento”, conclui.
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