

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que seus dois principais mercados de ações vão ficar fechados por dois dias nesta semana, numa tentativa de evitar um possível tombo generalizado depois que o país do Golfo foi repetidamente atingido enquanto o Irã retaliava ataques aéreos dos EUA e de Israel. A Abu Dhabi Securities Exchange e a Dubai Financial Market ficarão fechadas nos dias 2 e 3 de março, informou a Autoridade de Mercado de Capitais dos Emirados, em comunicado por e-mail. “A Autoridade continuará monitorando os acontecimentos na região e avaliando a situação de forma contínua, adotando novas medidas se necessário”, disse o órgão. Cancelamentos em massa de voos e fechamento do espaço aéreo transformam a cidade símbolo de luxo e estabilidade em “ilha” para dezenas de milhares de viajantes
O pior pesadelo de Dubai se concretiza com ataques do Irã a vizinhos do Golfo. O Irã lançou uma onda de ataques aéreos na região, mirando bases americanas e abalando a imagem que Dubai construiu ao longo dos anos como “refúgio seguro” em um entorno instável. Desde a manhã de sábado (28), Dubai e Abu Dhabi vêm sendo alvo de centenas de mísseis e drones iranianos, em resposta à ofensiva dos EUA e de Israel. A maior parte foi interceptada, e há poucos relatos de vítimas e danos em diferentes áreas das duas cidades. Mesmo assim, os ataques geram pânico entre moradores e representam uma ameaça relevante para a economia dos Emirados e para a imagem do país como polo estável de finanças, logística e turismo.
“Os ataques de EUA e Israel ao Irã podem provocar choques de demanda nas vendas de imóveis nos Emirados, comprometendo a absorção de 350 mil unidades de nova oferta, além de 120 milhões de visitantes no Dubai Mall e do fluxo de turistas para o varejo e a hotelaria”, escreveram os analistas da Bloomberg Intelligence Edmond Christou e Salome Skhirtladze, em relatório. “Incorporadoras dos Emirados, como a Emaar, ficam mais expostas, assim como bancos locais com maior sensibilidade ao ciclo econômico.”
Fechar o mercado é algo raro no país. Fora feriados previstos no calendário, as bolsas dos Emirados costumam interromper negociações apenas em períodos de luto nacional, como ocorreu após a morte do presidente xeique Khalifa bin Zayed Al Nahyan, em maio de 2022. Por outro lado, não é incomum que países suspendam seus pregões em momentos de forte incerteza. Entre exemplos recentes, a Turquia paralisou o mercado por uma semana depois de um terremoto em 2023, e as ações dispararam na reabertura. A Rússia manteve a bolsa fechada por cerca de um mês em 2022, após a invasão da Ucrânia. Na Grécia, a Bolsa de Atenas ficou cinco semanas sem negociar em 2015, durante a crise da dívida, e sofreu forte queda quando voltou a operar. Em outro mercado do Golfo, a Autoridade de Mercados de Capitais do Kuwait informou que a bolsa local retomará as negociações em 2 de março, após suspender as operações no domingo.
Fotógrafa: Vidhyaa Chandramohan/Bloomberg



