

A questão das tarifas de importação impostas pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA) é um desafio significativo para muitos países, incluindo aí o Brasil. O problema tem levado preocupações aos países do mundo que têm nas exportações para os EUA sua sustentação e o assunto lidera o noticiário internacional, gerando reuniões em todas as esferas mundiais. Para enfrentar essa situação, o Brasil pode considerar várias providências em relação ao seu comércio exterior.
Entre as providências que o governo brasileiro tem de tomar, a mais importante é a diversificação de mercados ampliando as exportações para outras regiões como a Ásia, Europa e África, reduzindo a dependência do mercado norte-americano. Isso tem de ser feito considerando que no comércio internacional vale muito a regra de que tudo tem der ser feito nas duas vias, vigendo o dito popular que é dando que se recebe. Um dos procedimentos que muito auxilia essa diversificação é a de assinatura dos acordos bilaterais, e/ou multilaterais, que facilitam o acesso a novos mercados.
Do lado interno do Brasil é imprescindível o fortalecimento da indústria nacional restaurando a política de substituição de importações e de concessão de incentivos. É sempre possível estimular a produção local para limitar a dependência de produtos importados. Na concessão de incentivos vale a criação de incentivos à indústria que produza bens que estejam sendo submetidos a tarifas, como isenção ou redução de impostos. É importante considerar que mesmo reduzindo a arrecadação unitária de tributos se pode compensar a diminuição com o aumento da produção. Na indústria o maior beneficiário é o governo e no fechamento de uma fábrica é ele o maior perdedor.
Outra providência importante é a do fortalecimento da diplomacia comercial. Negociações diretas para discussão de possibilidades de novos acordos bilaterais e de isenções, ou redução das tarifas norte-americanas, e a atuação mais firme junto às organizações internacionais. A Organização Mundial do Comércio (OMC), fragilizada por ações dos EUA, ainda tem validade e pode ser usada para se contestar tarifas consideradas injustas e viabilizar a exportação de serviços, principalmente na realização de obras de infraestrutura, que carregam consigo a exportação de materiais de construção e serviços profissionais especializados.
Para que se ganhe força nas competições internacionais, reduzindo os custos internos, é imprescindível o aprimoramento da logística e das cadeias de suprimento. Melhorar a infraestrutura de transporte e logística para reduzir custos e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros, torna o país mais autônomos e independente. A modernização das cadeias de suprimento se faz tornando-as mais eficientes com uso de novas tecnologias e absorção de inovações.
Outra providência que pode fortalecer o Brasil, com certeza, é o de apoio a setores considerados estratégicos. Para isso é preciso identificar setores com potencial de crescimento e fixar aí o foco das ações. Existem setores que têm o potencial de competir mais eficazmente no mercado internacional, como a agricultura, tecnologia e energias renováveis. Acrescente-se o aumento da capacidade de realização e a formação profissional. Oferecer treinamentos e capacitações para trabalhadores e empresários em práticas de comércio exterior e qualidade, considerando-se as diferentes culturas e regiões geográficas.
Por fim, o fortalecimento da marca Brasil e de sua presença em eventos internacionais. É preciso que os produtos brasileiros sejam fortalecidos através da marca Brasil no exterior, promovendo os produtos nacionais com campanhas de marketing direcionadas. Complementando a essa providência é preciso que se fomente a presença em feiras e eventos internacionais para facilitar a inserção do Brasil em mercados externos.
Cada uma dessas medidas pode ajudar o Brasil a minimizar os impactos das tarifas americanas e potencializar suas exportações em um cenário econômico global dinâmico. Além disso, a adaptação a essas mudanças não apenas compensaria as tarifas, mas também fortaleceria a economia brasileira a longo prazo. É importante que as medidas sejam cuidadosamente planejadas e implementadas para garantir eficácia e resultados positivos. Fazendo isso o Brasil passaria a estar presente no comercio internacional vendendo, ao invés de ficar parado aqui sendo comprado.
Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.)