segunda, 26 de janeiro de 2026
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ELEIÇÕES 2026: OS DILEMAS DE JOÃO ROMA E ACM NETO

Redação - 26/01/2026 08:59 - Atualizado 26/01/2026

Está cada vez mais claro que a direita chegará dividida à eleição para a Presidência da República em 2026. Na Bahia, esse cenário já se desenha de forma explícita. O estado vem sendo visitado por diferentes presidenciáveis do campo conservador, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, muito próximo de ACM Neto, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que, tudo indica, contará na Bahia com o apoio do ex-deputado José Carlos Aleluia, que deve disputar o governo do estado.

Nesse quadro, marcado pela ausência de um nome de consenso na direita nacional, tudo indica que o ex-prefeito de Salvador adotará uma postura de diálogo com todos os pré-candidatos, mas com uma preferência prática: no primeiro turno, ao que parece, a tendência é apoiar Ronaldo Caiado.

É nesse ponto que surge o dilema do ex-deputado João Roma. Ele negocia uma candidatura ao Senado na chapa de ACM Neto, mas se apresenta como aliado de primeira hora de Flávio Bolsonaro. E aí está o nó político.

Flávio tem cobrado posições mais claras dos apoiadores do bolsonarismo, como já fez com Tarcísio de Freitas, e tende a intensificar essa pressão. A estratégia faz sentido: para se viabilizar nacionalmente, Flávio precisa de palanques regionais fortes ainda no primeiro turno, sobretudo em estados  onde é pouco conhecido, como a Bahia.

Não parece razoável imaginar que Flávio Bolsonaro passe todo o primeiro turno eleitoral na Bahia sem ter seu nome explicitamente defendido, para só receber apoio formal de ACM Neto no segundo turno.

Esse arranjo é politicamente frágil e João Roma sabe disso. Ele sabe também que, chegada a hora decisiva, Flávio exigirá uma definição clara. E mais: o chamado “zero um” dificilmente aceitará que Roma suba num palanque com ACM Neto  exaltando Ronaldo Caiado, justamente no momento em que os candidatos da direita disputarão entre si quem estará no segundo turno para enfrentar Lula.

A bem da verdade, ACM Neto não declarou ainda que apoiará Caiado no primeiro turno. E é aí que é possível perceber que o  dilema não é apenas de Roma. Ele se estende a ACM Neto. Na eleição passada, o ex-prefeito adotou a estratégia do “tanto faz”, ao admitir que não precisava ter um candidato a presidente e o resultado político dessa neutralidade é conhecido.

Será que agora, nas eleições que se desenham como extremamente competitivas, não apenas no âmbito da polarização esquerda direita, mas também entre os candidatos da própria direita, ele repetirá o mesmo caminho.

Será que repetirá  a fórmula, agora sob o argumento de que, sendo de direita tanto faz,  e qualquer nome serviria para o segundo turno? Será que enfrentará as redes bolsonaristas se não apoiar o “zero um”?

Assim, os dilemas se multiplicam. O de João Roma é direto: sair candidato a governador, apoiando o presidenciável do seu partido, ou se alinhar a ACM Neto, como candidato ao Senado, sabendo que dificilmente  Flávio Bolsonaro será o candidato prioritário da aliança no primeiro turno?

Já o dilema de Neto é estratégico: concentrar seu peso político em um único candidato da direita desde o início ou reeditar o “tanto faz”, abrindo seu palanque a todos os nomes do campo conservador?

Na Bahia, a direita não enfrenta apenas uma disputa contra a esquerda. Enfrenta, sobretudo, seus próprios impasses. (EP- 26/01/2026)

 

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