segunda, 12 de janeiro de 2026
Euro Dólar

NESTE SÁBADO (17), NOITE DA BELEZA NEGRA ELEGE A 45ª DEUSA DO ÉBANO DO ILÊ AIYÊ

João Paulo - 12/01/2026 15:00 - Atualizado 12/01/2026

Nem toda coroa brilha, mas algumas sustentam o mundo. No dia 17 de janeiro, às 22h, a Senzala do Barro Preto, no Curuzu, volta a ser território sagrado de afirmação, memória e cultura preta com a realização da 45ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê, que elegerá a Deusa do Ébano 2026. Inspirada no tema do Carnaval do bloco, “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, a cerimônia destaca que há coroas que não pesam, mas libertam, feitas de tecido, pena, fé e dignidade, erguidas por cabeças que nunca se curvaram.

Em meio a processos históricos de exclusão e silenciamento, expressões culturais negras e indígenas seguiram vivas, reinventando-se como formas de resistência e permanência. Nesta edição, a Noite da Beleza Negra evidencia esse diálogo ancestral, reconhecendo a força compartilhada entre povos que transformaram identidade, espiritualidade e arte em legado. O Curuzu, coração pulsante da negritude em Salvador, mais uma vez se transforma em palco de um concurso que desloca a beleza do campo da aparência para o da consciência política.

Durante a noite, 15 candidatas sobem ao palco para disputar o título de Rainha do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, levando dança, presença, ancestralidade, carisma e energia: Bruna Christine, Camila Silva, Camila Morena, Carol Xavier, Cecília Cadile, Dandara Namíbia, Joana Sousa, Larissa Oliveira, Mavih Souza, Nayara Temporal, Rafaela Rosa, Raíssa Batista, Sarah Moraes, Stephanie Ingrid e Thuane Vitória. A vencedora receberá a coroa das mãos da atual Rainha, Lorena Bispo, que se despede do reinado após conduzi-lo com elegância, respeito e forte conexão com o público.

TURBANTES E COCARES: O ENCONTRO DE COROAS – Com roteiro e direção artística de Ridson Reis, a 45ª Noite da Beleza Negra propõe uma travessia cênica que entende a beleza como rito e afirmação coletiva. A concepção da cerimônia parte da compreensão de que o evento é resultado de uma construção histórica contínua, marcada pela estética negra enquanto ato político. Segundo o diretor, a montagem aprofunda imagens e valoriza os elementos que sustentam o espetáculo ao longo das últimas edições, como o canto, a percussão, a dança e a presença da mulher negra como expressão de realeza e continuidade.

“Este ano, o espetáculo nasce de escolhas muito conscientes. Os turbantes e cocares aparecem não como estética, mas como herança, resistência e pertencimento. Cada edição tem sua própria respiração. A deste ano está mais madura, mais segura do que quer dizer. E o resultado é um espetáculo mais direto, pulsante e mais conectado com o que o Ilê representa hoje. Cada cena está ali porque precisa estar e cada artista em cena está sustentando um sentido”, avalia Ridson.

A cerimônia estabelece um diálogo direto com o tema do Carnaval 2026 do Ilê Aiyê, que este ano completa 52 anos de história, ao aproximar as trajetórias do povo negro e dos povos indígenas a partir da história de Maricá, no Rio de Janeiro. A proposta ressalta que turbantes e cocares não operam como ornamento, mas como símbolos de memória, resistência e direitos forjados na luta.

A identidade visual do Ilê Aiyê tem a assinatura de Mundão, artista e designer responsável pelas estampas e pela criação da identidade visual do bloco. Já Dete Lima, fundadora e estilista do Ilê, é referência na construção da moda negra como linguagem política, de resistência e pertencimento que estruturam a Noite da Beleza Negra.

O evento também se curva para homenagear Arany Santana, co-fundadora do Ilê Aiyê, mulher que transformou permanência em gesto político e memória em açã…

Crédito: Estúdio Casa de Mainha

Copyright © 2023 Bahia Economica - Todos os direitos reservados.