

O ano de 2026 começa com o mercado de trabalho aquecido e o trabalhador mais confiante. Segundo dados da Robert Half divulgados na última segunda-feira (5), seis em cada dez profissionais (61%) planejam buscar uma nova oportunidade ao longo do ano. O otimismo é impulsionado pela queda do desemprego e pela busca por melhores condições, mas especialistas advertem: para o movimento ser bem-sucedido, é preciso trocar o impulso pela estratégia.
Para quem quer continuar na mesma área, o motor da troca é o crescimento profissional (45%) e o aumento salarial (42%). Já para quem planeja uma transição de carreira (mudar de profissão), o peso do bolso é ainda maior: 63% buscam remuneração mais alta, seguidos por 39% que priorizam qualidade de vida.
“2026 não é um ano para trocar de emprego por ansiedade”, alerta Natalia Assarito, sócia da Elara Partners. Segundo ela, o mercado está mais criterioso. “Quem se movimenta melhor é quem sabe explicar com clareza o porquê da mudança e o que entrega de valor”.
Para se destacar nos processos seletivos, que estão cada vez mais automatizados, o candidato precisa ser estratégico. Então, esqueça perfis genéricos. Use títulos objetivos e palavras-chave alinhadas à função desejada. Foque em resultados reais e impactos que você gerou, e não apenas em uma lista de cargos.
Os especialistas também orientam a fugir de discursos decorados. “O que mais pesa hoje é a coerência. Narrativas vagas geram desconfiança”, pontua Natalia. Saiba falar sobre decisões difíceis e aprendizados reais. O candidato também precisa estar atento ao fato de que as empresas usam sistemas que rastreiam candidatos por competências específicas. Manter o currículo atualizado com as hard e soft skills do momento é essencial. “A recolocação não é apenas uma corrida por vagas, mas um período de reconstrução”, conclui Kauã Leandro, do Trabalha Brasil. Quem planeja o movimento com equilíbrio tende a voltar ao mercado muito mais forte.
Sem arrependimentos
Nem sempre a grama do vizinho é tão verde quanto parece. Uma pesquisa da Gallup mostra que 24% das pessoas se arrependem após a troca de emprego. Para Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S, o erro geralmente ocorre por um desalinhamento de expectativas.
Para Santos, a chave está em tratar o arrependimento como um sinal de alerta e não como um fracasso. “Cada mudança, mesmo que frustrante, traz informações importantes sobre nós mesmos e sobre o mercado. A questão é saber transformar essa experiência em combustível para decisões mais acertadas no futuro”, conclui.
Se você mudou e bateu o desânimo, siga estes passos:
(Correio)
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