terça, 10 de março de 2026
Euro Dólar

ARMANDO AVENA – O DÓLAR, A BOLSA E OS INVESTIMENTOS

Redação - 04/04/2024 16:06 - Atualizado 04/04/2024

O dólar e a bolsa de valores são ativos voláteis por excelência, por isso é preciso ter cuidado na hora de investir e de analisar seus movimentos. E é sempre bom lembrar que tanto um quanto outro são influenciados, no curto prazo, por movimentos de mercados, nacionais e internacionais, e por fatores políticos e econômicos.  Esta semana, por exemplo, a cotação do dólar chegou a R$ 5,05 o maior nível desde outubro de 2023. Foi um movimento conjuntural que está acontecendo porque – como a economia americana continua crescendo e gerando emprego e, com isso, pressionando a inflação –, o banco central de lá manteve os  altos. E como os títulos americanos são os mais seguros do mundo, se os juros  permanecem altos, boa parte do dólar do mundo vai para lá, diminuindo a oferta e fazendo a cotação aumentar em todos os países. Então, o Banco Central brasileiro, que tem reservas de mais de 300 bilhões de dólares, passa vender dólares para aumentar a oferta e fazer a cotação baixar. É simples assim e por causa dessa instabilidade não vale a pena investir em dólar, a não ser para quem especula no curto prazo.

No que se refere à bolsa, a volatilidade é a mesma. Movimentos de grandes investidores nacionais ou internacionais fazem o índice da bolsa subir ou descer e ocorre o mesmo por causa de fatores políticos ou econômicos. É risível quando aparece uma manchete do tipo: empresa perdeu bilhões em valor de mercado nesta terça-feira na bolsa. É cômico, se não fosse trágico, pois muitas pessoas assustadas vendem suas ações sem perceber que é um movimento de curtíssimo prazo. Um exemplo: no dia 8 de março saiu em todos os jornais que a Petrobras havia perdido R$ 55,3 bilhões em valor de mercado, pois a ação caiu para cerca de R$ 36,00 por causa do imbróglio dos dividendos extraordinários.

Hoje, menos de um mês depois, a Petrobras já recuperou tudo e a ação está cotada a R$37,90. Claro, no curto prazo, muita gente ganhou ou perdeu dinheiro com a volatilidade mas, se o leitor não é especulador, a bolsa é ativo de longo prazo e são os balanços anuais e trimestrais e as condições do mercado de cada setor que vão determinar o valor futuro dos papéis. Outro exemplo: quem comprou ação da Braskem por 42 reais em janeiro de 2022, viu ela cair para o patamar de R$ 26,5% e, para completar, a empresa deu prejuízo em 2023. Então é hora de vender? Ao contrário, vender agora é realizar o prejuízo, é hora de comprar para reduzir o preço médio de cada ação, pois a Braskem é um grupo sólido que já teve proposta de compra de grandes empresas e, no médio prazo, só tende a se valorizar.

E aqui chegamos a essência deste artigo que é dizer ao meu leitor, especialmente o pequeno investidor,  que fuja dos investimentos em dólar que são voláteis e de baixo rendimento, e que prefira as aplicações de renda fixa que ainda estão oferecendo boas oportunidades no mercado. Mas deve ter em mente que, a medida que os juros reais caem, as aplicações em bolsa, especialmente aquelas com boa politica de distribuição de dividendos, ficam mais atrativas, mas sempre no longo prazo.

CACAU: PREÇOS ESTIMULAM A PRODUÇÃO

O preço do cacau, atingiu, pela primeira vez na história, 10 mil dólares a tonelada. Em Ilhéus está próximo de R$ 800,00 a arrouba. Não faz muito tempo, o preço era R$ 200,00. Quando o mercado atinge esse patamar de preço é inevitável: vai ter aumento de produção e novas áreas serão incorporadas ao cultivo. Isso se dá através da substituição de pastagens e outros cultivos nas regiões produtoras. E na incorporação de novas regiões ao plantio. É o caso da região Oeste que já cultiva a planta, com o cerrado  e registrando boa adaptabilidade e registros alta produtividade.  O Brasil o 7º maior produtor de cacau do mundo, sendo 55% da produção na Bahia.  A produção pode crescer, mas o foco é a sustentabilidade.

  A BAHIA E O BNDES

Em 2023, os desembolsos do BNDES para a Bahia atingiram R$ 3,6 bilhões, um crescimento de 22,8% em relação a 2022. Chama atenção que na Bahia os setores de infraestrutura e agropecuária ficaram com 86% dos recursos, enquanto indústria ficou com 4% e comércio e serviços com cerca de 10%.  A Bahia foi quem mais captou recursos no Nordeste, aproximadamente 33% do total, mas apenas 3,2% do total nacional. O problema é que para a região Nordeste foram destinados 9,6% do total de desembolsos do BNDES, enquanto a região Sudeste abocanhou quase 50%. O Nordeste precisa voltar a se unir e passar a exigir a canalização de mais recursos produtivos para a região.

 Publicado no jornal A Tarde em 04/04/2024

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