

O bolsonarismo ideológico, aquele grupo que seguia as ideias de Olavo de Carvalho e tinha como expoentes Ernesto Araújo e Abraham Weintraub, ambos desalojados do governo tem agora como um dos mais destacados participantes um baiano que, segundo a revista Veja, desponta nas prateleiras inferiores do poder, como um dos pitbulls da turma. Trata-se de André Porciúncula, baiano de Salvador que ocupa o cargo de Secretário Nacional de Incentivo e Fomento à Cultura. Porciúncula, que é ligado a Eduardo Bolsonaro e ao vereador Alexandre Aleluia, tem se gabado nas redes sociais de ser o responsável por acabar com a “mamata” de artistas de esquerda com recursos provenientes da Lei Rouanet.
Capitão da PM da Bahia e chefiado pelo secretário especial de Cultura, o ex-ator de Malhação Mário Frias, Porciúncula cumpre à risca a tática de guerrilha do bolsonarismo digital: além de se apresentar como xerife da lei de fomento à cultura, o que lhe confere especial peso entre a militância, o rapaz mostra-se um seguidor do escritor Olavo de Carvalho, morto na semana passada, e orienta-se sob a lógica alucinada de uma permanente “guerra cultural” contra a esquerda. Também se posiciona como detrator do passaporte de vacinação.
Porciúncula já defendeu que a arte cristã ganhe espaço no fomento oficial. Nas redes sociais, ao lado de elogios a Olavo de Carvalho, a quem atribui um “reforço intelectual” de sua fé, ele publica trechos da Bíblia, e, ao lado do chefe Frias, posa empunhando armas. Até o início do ano passado, uma comissão julgava as propostas da Rouanet, mas o mandato dos 21 membros venceu em abril de 2021 e Porciúncula passou a ser o único responsável pela aprovação. Com informações da Revista Veja.