

A América de cores, lutas, línguas e natureza sem igual tem personagens históricos a rodo e pode ganhar um novo conquistador, pelo menos dentro dos campos de futebol. Adenor Leonardo Bachi, o popularíssimo Tite, comanda a seleção brasileira neste domingo na final da Copa América, às 17h (de Brasília), contra o Peru, no Maracanã. Em caso de vitória, se tornará o primeiro técnico a somar este título aos da Libertadores, Copa Sul-Americana e Recopa, principais torneios continentais de clubes.
Os três anos de Tite à frente da Seleção são repletos de peculiaridades. Ao recuperar o bom futebol e classificar a equipe, antes ameaçada, com antecedência para a Copa do Mundo, o técnico foi alçado à condição possível candidato à presidência da república. Bastou a derrota para a Bélgica nas quartas de final e não só lhe foi arrancada a faixa como também os elogios.
A um jogo de conquistar seu primeiro título com a Seleção, o vitorioso treinador precisa responder sobre sua permanência diante de notícias sobre uma possível saída. Absolutamente seduzido pela possibilidade de ganhar uma Copa do Mundo, competição à qual nada pode se igualar, em suas próprias palavras, ele vive momento de ansiedade pelas mudanças na comissão técnica, inclusive pela escolha do substituto do coordenador Edu Gaspar, seu amigo e braço-direito.
O título, visto como obrigatório pelo entorno, pela Copa América ser disputada em casa um ano após a frustração na Rússia, poderá pavimentar um caminho de paz, pelo menos nos próximos meses. Tite sabe como é isso. Em momentos de dificuldade na carreira, troféus o reergueram.
O Internacional tornou-se o primeiro clube brasileiro a vencer a Copa Sul-Americana em 2008, ao derrotar o Estudiantes na prorrogação do Beira-Rio. Tite era o comandante de jogadores como Taison, D’Alessandro, Nilmar Alex e Guiñazu. Em 2012, ele conduziu o Corinthians ao tão sonhado título da Libertadores, com direito a vitória sobre o Boca Juniors na final. No ano seguinte, em dois jogos, bateu o São Paulo e levou também a Recopa para casa.
Do abatimento pela eliminação na Copa do Mundo até recuperar a segurança no processo de renovação da Seleção, Tite passou por momentos de introspecção, e assimilação da necessidade de mudanças, até mesmo no seu jeito de ser. Na Copa América, botou em prática o processo de substituições mais rápidas na equipe e aproximou-se mais dos jogadores. Deixou de lado seu jeitão cheio de formalidade para chamar Everton pelo apelido de Cebolinha, um símbolo de uma relação que ele julgava precisar de ajustes.