quinta, 01 de outubro de 2026
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CONSUMO NOS LARES AVANÇA EM AGOSTO E ACUMULA ALTA DE 2,71%

Victoria Isabel - 01/10/2026 18:59 - Atualizado 01/10/2026

Emprego, renda e menor pressão recente dos preços dos alimentos têm contribuído para sustentar o crescimento do consumo nos lares brasileiros. Em agosto, o indicador registrou alta de 2,69% ante agosto de 2025.

Na comparação mensal, o consumo avançou 2,21% de julho para agosto, mantendo a trajetória positiva, embora em ritmo mais moderado do que na passagem de junho para julho, quando o indicador havia crescido 3,01%. No acumulado de janeiro a agosto, o consumo registra alta de 2,71%, segundo o monitoramento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

Os dados são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados.

“A queda dos preços de alguns alimentos reduz a pressão sobre o orçamento destinado ao abastecimento dos lares. Esse movimento, combinado aos indicadores favoráveis do mercado de trabalho e ao avanço da renda em relação ao ano anterior, contribui para manter o consumo em trajetória positiva, ainda que o avanço de agosto sobre julho tenha sido mais moderado que o registrado na passagem de junho para julho”, analisa o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan.

No mercado formal de trabalho, agosto registrou saldo positivo de 165.827 postos com carteira assinada, segundo o Novo Caged. De janeiro a agosto, foram criados 1.134.033 postos, com crescimento de 2,41% do emprego formal no ano.

A PNAD Contínua, do IBGE, também mostra indicadores favoráveis de emprego e renda. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto. A população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica.

O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.777, permanecendo estável na comparação trimestral e crescendo 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. Já a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 385,6 bilhões, maior valor da série histórica, com avanço de 1,4% no trimestre, o equivalente a R$ 5,2 bilhões, e de 4,8% na comparação anual, correspondendo a R$ 17,5 bilhões a mais.

Aos indicadores favoráveis de emprego e renda soma-se a menor pressão dos preços dos alimentos. O IPCA caiu 0,32% no mês, enquanto o grupo Alimentação e Bebidas apresentou queda de 0,34%. No recorte da alimentação no domicílio, a redução foi de 0,61%, menos intensa do que a registrada em julho, quando o grupo havia recuado 1,14%. No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 3,11% e, em 12 meses, de 4,22%, abaixo dos 4,44% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

O calendário de pagamentos também colocou recursos em circulação em agosto. O último lote regular do Abono Salarial PIS/PASEP destinou R$ 5,2 bilhões a cerca de 4,1 milhões de trabalhadores, enquanto o Bolsa Família transferiu aproximadamente R$ 13,06 bilhões para cerca de 19,3 milhões de famílias. O Conselho da Justiça Federal também liberou R$ 3,31 bilhões aos Tribunais Regionais Federais para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs), envolvendo mais de 280 mil pessoas.

Recursos creditados no fechamento de julho também ficaram disponíveis aos contribuintes no início de agosto. Em 31 de julho, a Receita Federal pagou R$ 4,61 bilhões no terceiro lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, destinado a 2,74 milhões de contribuintes.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

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