

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (28) que o fim das apostas de quota fixa, conhecidas como bets, não deve prejudicar o futebol brasileiro. A declaração ocorreu durante uma cerimônia em Brasília para a sanção de uma lei voltada à profissionalização e ao desenvolvimento do futebol feminino.
Lula respondeu às críticas de clubes que apontaram possíveis perdas financeiras com o encerramento das atividades das casas de apostas no país. Segundo o presidente, o futebol brasileiro viveu seus principais momentos antes da existência das bets e os clubes deverão buscar novas fontes de receita.
Durante o evento, Lula também mencionou a possibilidade de os clubes adotarem modelos empresariais, citando a legislação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). A avaliação apresentada pelo presidente é de que as equipes precisam encontrar alternativas para manter suas receitas.
A questão tem impacto direto sobre os clubes da Série A. Atualmente, 14 dos 20 times da primeira divisão possuem empresas de apostas como patrocinadoras principais. Entre os maiores contratos está o do Flamengo com a Betano, estimado em R$ 268,5 milhões por temporada.
O governo e representantes dos clubes têm uma reunião marcada para esta terça-feira (29), em Brasília. O encontro deverá discutir os efeitos da medida provisória sobre os contratos de patrocínio e as receitas das equipes. Representantes dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Orçamento, Esporte e da Secretaria de Comunicação Social, além de clubes da Série A e B e da CBF, participarão das conversas.
A MP assinada por Lula na última sexta-feira (25) proibiu novos depósitos nas plataformas de apostas. Os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas contas, enquanto os sites e aplicativos deverão deixar de funcionar a partir de 6 de outubro.
Além do impacto nos clubes, entidades ligadas ao setor de apostas também questionaram a medida na Justiça. Representantes das empresas recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira na tentativa de suspender a MP.
A proibição também deverá afetar contratos de publicidade e patrocínio firmados entre casas de apostas e equipes esportivas. O governo, por sua vez, afirma que os clubes precisam buscar alternativas comerciais para compensar eventuais perdas provocadas pelo fim desse mercado.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



