

Os reajustes salariais negociados em agosto de 2026 ficaram acima da inflação em 86,9% dos 191 acordos e convenções coletivas analisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os dados fazem parte do boletim “De Olho nas Negociações 72” e foram levantados a partir de registros do Ministério do Trabalho e Emprego.
O percentual representa uma melhora em relação a julho, quando 83,4% das negociações registraram ganhos acima da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em agosto, 7,3% dos reajustes ficaram abaixo da inflação, maior proporção registrada para esse indicador desde outubro de 2025.
Considerando as últimas 12 datas-base, o percentual de negociações com reajustes acima da inflação passou de 83,9% em julho para 84,4% em agosto. Segundo o Dieese, o indicador apresenta trajetória de recuperação desde novembro de 2025.
A variação real média dos reajustes também apresentou alta em agosto, depois de quatro meses consecutivos de queda. Os salários tiveram, em média, aumento de 1,17% acima da inflação, ante 1,09% em julho e 0,65% em agosto de 2025.
Já o percentual necessário para recompor integralmente o poder de compra dos salários apresentou a terceira redução mensal consecutiva. Para setembro, o reajuste calculado com base no INPC é de 3,98%.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Dieese analisou 13.181 reajustes. Desse total, 86,6% ficaram acima da inflação, enquanto 10% foram equivalentes à variação do INPC e 3,4% ficaram abaixo do índice.
No acumulado do ano, a variação real média dos reajustes foi de 1,40% acima da inflação. Os reajustes escalonados representaram 12,6% das negociações analisadas, enquanto os pagamentos parcelados corresponderam a 0,8%.
Na divisão por setores econômicos, os serviços registraram a maior variação real média dos reajustes, com ganho de 1,50% acima da inflação. Na sequência aparecem o comércio, com 1,36%, a indústria, com 1,31%, e o setor rural, com 1,13%.
Em relação à parcela de negociações que resultaram em reajustes acima da inflação, o comércio apresentou o maior percentual, com 87,6%. Os serviços ficaram em 87,3%, a indústria em 86,9% e o setor rural em 74,7%.
O levantamento foi elaborado pelo Dieese com base nos instrumentos coletivos registrados no sistema Mediador até 11 de setembro de 2026. A análise considera trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluindo empregados do setor privado, empresas estatais e empresas públicas.
Servidores estatutários e trabalhadores do mercado informal não fazem parte da base considerada pelo estudo.
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