

Os cruzeiros movimentaram R$ 4,76 bilhões na economia brasileira durante a temporada 2025/2026, considerando tanto os navios que operaram entre portos do Brasil (cabotagem) quanto as embarcações entre diferentes países (longo curso), que passaram pelo litoral do país. O impacto inclui gastos das companhias com operação e logística e despesas de passageiros e tripulantes nas cidades de embarque, desembarque e escala, além de gerar milhares de postos de trabalho e arrecadação de tributos.
Os dados são de estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil). Apenas a operação de cabotagem movimentou R$ 4,28 bilhões e esteve associada a 64.529 postos de trabalho e R$ 166,3 milhões em tributos federais, estaduais e municipais.
Nos portos públicos baianos, administrados pela Autoridade Portuária Federal – CODEBA, foram registradas 80 escalas de navios de cruzeiro durante a temporada 2025/2026. Para a temporada 2026/2027, cerca de 179 mil passageiros devem desembarcar nos portos de Salvador e Ilhéus. A programação de atracação de navios de cruzeiro começa no dia 7 de outubro.
Impacto que chega às cidades
Do total movimentado pela atividade de cabotagem, R$ 2,28 bilhões correspondem aos gastos das companhias de cruzeiro com operação e logística. Outros R$ 2 bilhões foram gerados pelos gastos de passageiros e tripulantes nas cidades de embarque, desembarque e trânsito.
Esse movimento alcança diferentes setores da economia local, como comércio, alimentação, transporte, hotelaria e serviços. Assim, a passagem de um navio pelo litoral brasileiro gera efeitos que vão além da infraestrutura portuária e se estendem às cidades que recebem os passageiros.
Na temporada 2025/2026, 602.864 cruzeiristas embarcaram em navios de cabotagem no país. O estudo também aponta que cada R$ 1 investido pelas companhias de cruzeiro movimentou R$ 3,89 na economia brasileira.
Navios internacionais
Além da cabotagem, o levantamento considera os navios de longo curso que passaram pelo litoral brasileiro durante a temporada. Foram 21 embarcações em trânsito pelo país, responsáveis por R$ 480,94 milhões em impacto econômico, 7.500 postos de trabalho sustentados e R$ 51,15 milhões em impostos.
Somados os dois segmentos, os números indicam cerca de 72 mil postos de trabalho associados à atividade de cruzeiros na temporada 2025/2026.
Modernização da infraestrutura
Para acompanhar a evolução do turismo de cruzeiros e oferecer mais conforto, segurança e eficiência aos passageiros, os portos brasileiros vêm passando por um processo de modernização. A agenda conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) inclui a qualificação de terminais de passageiros, a ampliação da capacidade de atendimento e a preparação de estruturas para receber navios de diferentes portes e perfis.
Um exemplo é o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Maceió (AL). Em 2026, o MPor formalizou o contrato de arrendamento do terminal, que tem área de 5,6 mil m² e capacidade para atender até 612 passageiros por dia. Entre as medidas previstas estão a implantação de estacionamento, a modernização do mobiliário e a instalação de equipamentos para controle de passageiros e bagagens, além do reforço dos sistemas de segurança e controle de acesso.
Outro exemplo está no Pará. Entregue em novembro de 2025, a requalificação do Terminal Portuário de Outeiro preparou a estrutura para receber navios de passageiros durante a COP30. A estrutura também foi projetada para receber navios como hotéis flutuantes e, segundo o MPor, poderá integrar futuras rotas regulares de turismo marítimo.
As iniciativas fazem parte de uma agenda mais ampla de qualificação da infraestrutura portuária para o turismo marítimo, que também envolve a integração dos terminais às cidades e aos serviços oferecidos aos visitantes. Em 2025, o MPor discutiu essa agenda em parceria com a ONU Turismo, com foco na expansão dos cruzeiros, na modernização dos portos e na integração com as economias locais.
Portos como porta de entrada
A operação de cruzeiros depende de uma estrutura que envolve terminais, serviços portuários, transporte, abastecimento, logística e atendimento aos passageiros. As cidades que recebem os navios também funcionam como pontos de conexão com destinos turísticos e outros serviços.
Esse fluxo transforma os portos em portas de entrada para uma cadeia que reúne diferentes atividades econômicas. Além de receber os navios, a infraestrutura portuária integra uma rede que envolve empresas, trabalhadores, prestadores de serviços e estabelecimentos que atendem passageiros e tripulantes. Esse impacto ultrapassa a operação marítima: movimenta recursos nas cidades, gera empregos e contribui para a arrecadação em diferentes níveis de governo.
foto: Lazaro Neiva