

Esta semana, comemora-se o centenário do ex-governador Roberto Santos e, num tempo em que já não parece mais haver homens públicos, apenas homens privados, é tempo de louvá-lo.
Roberto Santos foi um homem público que honrou a Bahia, não só pela expressiva obra que deixou, mas, principalmente, pela maneira como exerceu a política, sem transformar o poder em finalidade pessoal, sempre exercendo-o em prol do bem público.
Conheci-o no ambiente familiar, casado que era com Maria Amélia, minha prima carnal por parte de mãe, ela também uma pessoa especial, de personalidade forte e enorme vontade de ajudar as pessoas e com capacidade de organização e liderança sempre colocadas a serviço do interesse social.
Mas foi quando me juntei a ambos em sessões de trabalho na casa da Rua Espírito Santo, na Pituba, na qual ele reunia os colaboradores e amigos, que passei a conhecer melhor Roberto Santos, um homem dedicado à causa pública, um intelectual, planejador e gestor e com grande sensibilidade para as questões sociais.
Nessas tardes de trabalho, o então jovem economista conheceu melhor a dimensão de suas realizações como governador. O seu período de governo foi marcado pela grande quantidade de obras e de projetos que implantou, mas seu maior legado foi ter deixado uma concepção de governo, baseada em planejamento, execução e acompanhamento.
No seu governo, não se tratou apenas de construir obras, mas de pensar a Bahia como um Estado que precisava ampliar a infraestrutura, a rede de saúde, a educação e a capacidade tecnológica e científica.
Havia, ainda, uma característica pessoal que o distinguia. Roberto Santos era um político, basta ver sua trajetória para ter certeza disso, mas nunca foi um político profissional, nunca deixou que a política se transformasse num fim em si mesmo, e fosse sempre um instrumento para buscar o bem público. E nunca se apartou da intenção de enfrentar os problemas com método e de explicar à comunidade as razões das decisões tomadas.
Lembro que certa vez o vi pensativo, sentado à sombra de uma árvore que havia no quintal de sua casa. Aproximei-me e ouvi dele que uma das maiores preocupações de um governante deveria ser escolher aqueles que iriam assumir as funções de governo, pois não bastava o componente político, era imperativo avaliar o lado técnico e moral.
Era um político, sem deixar de ser médico, professor e homem de universidade. E, talvez por isso, levou para a administração pública uma equipe formada em grande parte por técnicos, intelectuais e acadêmicos.
É preciso destacar na figura de Roberto Santos a integridade e a honestidade, que fizeram dele um político sem qualquer mácula, com um legado de retidão que deveria ser exemplo no mundo da política.
E é justamente essa combinação de competência, espírito público e probidade que faz de Roberto Santos um exemplo de homem público.
Publicado no jornal A Tarde em 18/09/2026