

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (10) que Daniel Vorcaro, então responsável pelo Banco Master, “virou banqueiro no governo Bolsonaro e prisioneiro” durante sua gestão. A declaração foi feita durante entrevista ao SBT Brasil.
Lula também comentou um encontro que teve com Vorcaro no Palácio do Planalto antes de o caso envolvendo o Banco Master ganhar repercussão. Segundo o presidente, o empresário o procurou para reclamar de uma suposta perseguição contra a instituição financeira.
De acordo com Lula, a reunião durou aproximadamente meia hora e contou com a presença de outro homem. O presidente afirmou que Vorcaro alegou estar sendo alvo de medidas contra o banco e recebeu como resposta que o Master seria submetido aos mesmos critérios aplicados às demais instituições financeiras.
“Daniel Vorcaro veio conversar comigo no Palácio do Planalto. Ele e outro rapaz disseram que estavam perseguindo o banco dele. Eu disse que o Banco Master seria analisado como qualquer banco”, relatou.
Lula afirmou ainda que o governo não tinha interesse em fechar a instituição, mas ressaltou que o banco precisaria cumprir as regras do sistema financeiro.
“O Banco Master vai ser analisado como qualquer banco. Ninguém tem interesse em fechar banco. Agora, você tem que estar correto, se não estiver correto, nós fechamos”, declarou.
Durante a entrevista, conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues e Marina Demori, o presidente também falou sobre a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e os desdobramentos das investigações relacionadas ao caso Master e ao filme “Dark Horse”.
Lula defendeu que todas as pessoas envolvidas nas apurações sejam investigadas, independentemente da posição que ocupem. “Todo mundo tem que ser investigado”, afirmou.
O presidente também disse que o STF não pode se transformar em uma “balbúrdia” e atribuiu ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a responsabilidade de conduzir os trabalhos e “colocar ordem na casa”.
Sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Lula afirmou que ele conta com sua “total confiança”. A declaração ocorre em meio aos conflitos provocados por decisões relacionadas à atuação da PF nas investigações do caso.
Na área eleitoral, Lula minimizou a importância das pesquisas de intenção de voto e disse que acompanhar constantemente os levantamentos poderia prejudicar sua atuação na campanha.
“Se eu for ficar em cima de pesquisa, analisando, eu morro. Não vou fazer campanha”, afirmou.
Apesar da crítica ao acompanhamento excessivo dos números, o presidente reconheceu que utiliza as pesquisas como uma referência para avaliar os rumos da campanha. “A pesquisa é um reflexo para a gente poder saber o que fazer dali para frente”, disse.
Lula também voltou a criticar o mercado financeiro e a chamada Faria Lima. Ao comentar as discussões sobre política fiscal, questionou a postura do setor e afirmou que haveria pouca preocupação com questões sociais.
“Eu gostaria de saber por que a Faria Lima só chora. A Faria Lima não conhece a palavra social. A Faria Lima não conhece a palavra inclusão”, declarou.
O presidente rebateu ainda críticas relacionadas à responsabilidade fiscal de sua gestão. “Ninguém nesse país tem autoridade para falar de autoridade fiscal comigo. Ninguém”, afirmou.
Na educação, Lula defendeu que os investimentos no setor devem ser tratados como uma forma de ampliar o patrimônio nacional, em vez de concentrar recursos apenas em atividades ligadas à produção de commodities.
“Investir em educação é investir no aumento do patrimônio (…) e não de soja e de commodity”, afirmou.
Sobre o Judiciário, o presidente defendeu a discussão de mudanças nas regras de funcionamento das instituições e disse ser necessário estabelecer critérios para a Suprema Corte.
“É preciso realizar uma reforma no Judiciário e criar critérios”, declarou.
Entre as possibilidades mencionadas por Lula está o debate sobre o fim do caráter vitalício do cargo de ministro do STF. O presidente ressaltou, porém, que qualquer mudança precisaria ser discutida amplamente com a sociedade.
“Eu não sou presidente de mim mesmo, eu sou presidente de mais de 200 milhões de habitantes”, afirmou.
Na área de segurança pública, Lula defendeu uma definição mais clara das responsabilidades de União, estados e municípios no combate à criminalidade.
“É necessário definir o papel da União, do Estado e do Município”, disse.
O presidente também voltou a defender a criação de uma Guarda Nacional com atuação voltada à inteligência e ao enfrentamento de facções criminosas e do crime organizado.
Foto: Ricardo Stucker/PR



