sexta, 11 de setembro de 2026
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MORAES FALA EM ‘ESCOLHA SELETIVA’ E PEDE A FACHIN RETIRADA DE SIGILO DE TODOS DOCUMENTOS DO CASO MASTER

VICTOR OLIVEIRA - 11/09/2026 12:40

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, no qual criticou o que classificou como uma “escolha seletiva” na retirada do sigilo de inquéritos e procedimentos relacionados ao Banco Master pelo ministro André Mendonça.

Moraes pediu o levantamento imediato de todo e qualquer sigilo dos documentos relacionados ao caso. O ministro também solicitou o julgamento conjunto de duas petições que tramitam no STF: uma que trata das mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o próprio Moraes e outra que reúne representações contra Mendonça relacionadas à condução das operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”.

No documento, Moraes afirma que, ao cumprir determinação anterior da Presidência do STF, Mendonça — a quem classificou como “diretamente interessado no julgamento” — liberou apenas 15 procedimentos de forma parcial, deixando de fora 180 peças e documentos digitais.

“O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (…) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória”, escreveu Moraes.

Moraes anexou ao ofício uma tabela comparativa com a quantidade de peças disponíveis no sistema eletrônico do tribunal e aquelas efetivamente liberadas.

  • Inquérito 5026: 61 peças pendentes, com 1.025 disponibilizadas de um total de 1.086.
  • PET 15556: 54 peças pendentes, com 504 disponibilizadas de 558.
  • RCL 88121: 35 peças pendentes, com 413 disponibilizadas de 448.
  • PET 15198: 23 peças pendentes, com 1.049 disponibilizadas de 1.072.
  • PET 15978: 7 peças pendentes, com 392 disponibilizadas de 399.

Segundo o ministro, das 4.514 peças registradas no sistema para os 15 procedimentos, apenas 4.334 foram tornadas acessíveis. Ele também pediu que a Diretoria de Tecnologia da Informação do STF certifique a quantidade exata de procedimentos existentes relacionados à investigação.

Pedido de julgamento conjunto

Moraes criticou ainda o fato de apenas a PET 16.662 ter sido pautada para análise, enquanto a PET 16.704 ficou de fora.

A segunda petição reúne representações que apontam suposta quebra de imparcialidade e suspeitas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução das operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”.

Entre os pontos apresentados por Moraes em comunicação de 3 de setembro estão acusações de suposta usurpação da direção das investigações policiais, com quebra da cadeia de custódia; condução irregular de tratativas de colaboração premiada; e possível direcionamento de alvos por motivações pessoais e políticas, incluindo o próprio Moraes e o senador Davi Alcolumbre.

O ministro ressaltou que Fachin havia reconhecido a existência de conexão e continência entre os dois processos para evitar decisões contraditórias.

Diante disso, Moraes formalizou três pedidos ao presidente do STF:

  • realização de julgamento conjunto das petições;
  • levantamento total e irrestrito do sigilo de todos os procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556;
  • intimação de todos os membros da magistratura citados nos autos para que possam prestar esclarecimentos e assegurar a defesa de suas prerrogativas.

Cópias do documento foram encaminhadas a todos os ministros do Supremo e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Crise do caso Master no STF

O novo embate ocorre após André Mendonça retirar, na quinta-feira (10), o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em cumprimento a pedido de Fachin.

A liberação, porém, manteve sob sigilo outras frentes da investigação, incluindo apurações relacionadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que levou a Polícia Federal a investigar conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A disputa ampliou as divergências públicas entre integrantes do Supremo, a Procuradoria-Geral da República e a direção-geral da Polícia Federal em torno da condução das investigações do caso Master.

Foto: REUTERS/Adriano

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