

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a retirada do sigilo de documentos relacionados ao Banco Master pode contribuir para aumentar a transparência sobre as investigações e ajudar a reduzir a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na conversa mais recente com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, realizada na quarta-feira (9), Lula teria defendido que as informações do inquérito fossem tornadas públicas.
Na avaliação do presidente, a divulgação dos elementos da investigação pode ajudar a diminuir as tensões entre os ministros do Supremo ao permitir que os fatos sejam analisados de forma mais transparente.
A crise envolvendo o caso também passou a preocupar o Palácio do Planalto pelos possíveis reflexos políticos. Dentro do governo, a avaliação é de que a exposição do episódio tem provocado impactos negativos para o Partido dos Trabalhadores e para a imagem de Lula.
Diante desse cenário, o presidente teria sinalizado a auxiliares que pretende reduzir sua participação pública nas discussões envolvendo o Judiciário e evitar que a crise avance sobre sua agenda política.
O movimento inclui uma mudança na postura de Lula em relação ao ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista concedida na noite de quinta-feira (10), o presidente afirmou que o magistrado deve ser investigado, reforçando o distanciamento em relação ao ministro.
Integrantes da campanha petista avaliam que a associação entre Lula e Moraes tem contribuído para a piora do desempenho eleitoral do presidente nas pesquisas. Por isso, a estratégia passou a ser evitar que a crise envolvendo o Supremo se transforme em um tema ainda mais presente na disputa política.
Na noite de quinta-feira, o ministro André Mendonça atendeu ao pedido de Fachin e retirou o sigilo de diversos procedimentos relacionados ao caso Master. Parte das investigações, no entanto, permaneceu protegida quando a manutenção do segredo foi considerada necessária para preservar diligências em andamento.
A grande quantidade de documentos que passou a ser pública também trouxe um novo cenário para o Supremo. Com o volume de informações a ser analisado pelos ministros, ganhou força a possibilidade de adiamento da sessão extraordinária prevista para discutir os desdobramentos do caso.
A sessão está marcada para terça-feira (15), e deverá reunir os ministros para avaliar os conflitos institucionais e as decisões relacionadas às investigações do Banco Master.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil