

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu a integrantes de sua equipe que mantenham cautela diante da crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF). A orientação, segundo interlocutores do governo, é concentrar esforços na busca por alternativas que contribuam para reduzir as tensões e preservar a estabilidade institucional.
Auxiliares do presidente avaliam que o conflito dentro do Supremo tem consequências relevantes para as instituições brasileiras e não deve ser tratado como um problema menor. Ao mesmo tempo, defendem que o governo federal deve atuar com prudência para evitar o agravamento da situação.
O presidente do STF, Edson Fachin, marcou para 15 de setembro a análise de uma investigação relacionada ao ministro Alexandre de Moraes. Diante da proximidade da sessão, integrantes do governo consideram necessário aguardar novos desdobramentos antes de adotar uma posição mais incisiva sobre o caso.
Interlocutores de Lula avaliam que a crise não deve ser concentrada exclusivamente na figura de Alexandre de Moraes. A avaliação é de que o atual cenário envolve uma série de conflitos entre integrantes do Supremo e ganhou novas dimensões após informações sobre encontros e mensagens atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Mesmo diante da crise, o governo mantém no discurso de campanha a defesa de uma reforma do Poder Judiciário.
Outro ponto que preocupa o Palácio do Planalto é a disputa envolvendo o comando da Polícia Federal. A expectativa é que o impasse relacionado ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, seja solucionado de forma definitiva.
Fachin determinou que o ministro André Mendonça apresente, em até 48 horas, as justificativas para a decisão que afastou Rodrigues da direção da Polícia Federal.
O diretor-geral chegou a ser reconduzido ao cargo pelo ministro Flávio Dino no dia seguinte ao afastamento, mas essa decisão também acabou sendo anulada.
A Advocacia-Geral da União (AGU) será responsável pela defesa de Rodrigues no caso. O episódio passou a integrar o conjunto de disputas institucionais que vêm ampliando a tensão entre ministros do STF.
Para o governo Lula, a prioridade neste momento é evitar novos conflitos e acompanhar os próximos passos do Supremo antes de uma eventual manifestação mais contundente sobre a crise.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil



