

As empresas de varejo no Brasil estão pressionadas pelos juros altos, carregando uma pressão financeira muito maior do que há alguns anos.
Entre as 15 companhias mais pressionadas de uma amostra de 30 empresas, as despesas financeiras passaram de 5,1% da receita líquida em 2018 para 12,3% em 2026. No grupo das 15 menos pressionadas, a relação também aumentou, mas de 1,6% para 3,1%.
Os números fazem parte do estudo “O preço da dívida no varejo brasileiro”, da Málaga & Associados, assinado por Flávio K. Málaga e Victor Marques.
O levantamento analisou as demonstrações financeiras de 30 empresas de varejo e consumo listadas na B3 entre 2018 e 2026. Os dados de 2026 foram anualizados a partir do período disponível. A amostra também inclui segmentos adjacentes, como turismo, energia e agronegócio.
Embora a amostra seja pequena, a maioria das empresas de varejo parece passar por problemas semelhantes.
O estudo chega em um momento em que o mercado ainda discute a extensão do ciclo de flexibilização monetária. Em agosto, o Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano, enquanto algumas instituições passaram a enxergar espaço para novos cortes — a XP, por exemplo, revisou sua projeção para 13,25% no fim de 2026.
Ainda assim é uma taxa muito alta e há quem defenda uma queda mais na próxima reunião do Copom.