

O advogado baiano Ciro Rocha Soares fez sua vida profissional em Salvador, onde é sócio administrador do escritório Rocha Soares Advogados Associados, fundado em 2018. Ele atua há mais de duas décadas em todo tipo de processo, principalmente em processos empresariais, eleitorais e criminais.
Ciro é apontado pela Polícia Federal como intermediário dos contatos de Daniel Vorcaro, do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. E também de Vorcaro com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e
Depois de construir sua carreira como advogado, ele deixou a Bahia e foi para São Paulo, ampliando também sua circulação por Brasília.
Nesse meio tempo, em uma passagem em Minas Gerais, conheceu Vorcaro, antes de assumir o controle do Banco Master. Segundo relatos, os dois são atleticanos e se conheceram no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, na torcida do Galo.
Ele passou a compor a equipe de advogados de Vorcaro e em novembro de 2025, participou do pedido de habeas corpus apresentado para tentar revogar a prisão preventiva do banqueiro.
E tinha contatos na política baiana. Próximo do senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia, o advogado já representou o partido e o próprio parlamentar em processos no estado. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Otto afirmou que três viagens feitas por ele em aeronaves da Prime You, empresa que teve Vorcaro entre os sócios, foram pagas por Soares.
O advogado também participou das articulações para a concessão dos títulos de cidadão baiano a Gonet e ao ministro Dias Toffoli, do STF. As homenagens foram entregues pela Assembleia Legislativa da Bahia em março de 2025. Durante a cerimônia, o deputado estadual Niltinho (PSD) agradeceu publicamente a Otto e a Soares pela participação na organização do evento.
A circulação do advogado nos meios político e jurídico também o aproximou de André Mendonça. Soares participou, em 2021, da campanha pela aprovação da indicação do então advogado-geral da União para uma vaga no Supremo. Ele teria ajudado Mendonça a abrir portas em gabinetes do Senado durante os meses em que a indicação permaneceu parada antes de ser submetida à votação
A relação entre os dois teria se estreitado a partir daquele período. Soares e Mendonça passaram a manter contatos frequentes e participaram juntos de eventos jurídicos, inclusive no exterior. Em fevereiro de 2025, segundo a PF, o advogado enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado do ministro e afirmou que estava “trabalhando” para o banqueiro.
Mendonça confirmou ter recebido o banqueiro, mas afirmou que o encontro durou entre 20 e 30 minutos e que se limitou a ouvi-lo sobre uma disputa judicial envolvendo precatórios. O ministro declarou ainda não se recordar de ter tratado de assuntos relacionados ao Banco Central ou ao Master com Soares antes de o caso chegar ao STF.
No dia seguinte à reunião, Soares enviou ao fundador do Master uma fotografia ao lado de Gonet e escreveu que o procurador-geral queria falar com ele. Segundo a PF, quatro ligações foram realizadas na sequência por meio do telefone do advogado. Para os investigadores, os registros indicam que Soares funcionava como uma ponte entre o banqueiro e o chefe da Procuradoria-Geral da República, órgão máximo do Ministério Público Federal (MPF). Com informações de O Globo.