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UBER COMUNICA DEMISSÃO DE 3,3 MIL PESSOAS EM MEIO AO AVANÇO DE ROBOTÁXIS

Hugo Leite - 02/09/2026 17:50

A Uber Technologies vai demitir cerca de 3.300 funcionários, ou 10% do seu quadro de pessoal, no maior corte desde o início da pandemia ​de Covid-19, para lidar melhor com o crescimento dos robotáxis que ameaçam o seu ​negócio de transporte por aplicativo.

As demissões em massa, divulgadas inicialmente pela Bloomberg News, são as maiores ​da Uber desde maio de 2020, quando um colapso na demanda causado pela pandemia a obrigou a cortar 6.700 empregos, ou quase um ​quarto de sua equipe. De acordo com seu relatório anual, a Uber tinha cerca de 34.000 funcionários em todo o mundo no ‌final do ano passado.

Os cortes irão achatar os níveis hierárquicos da gestão, reduzindo a complexidade organizacional que foi construída durante um período de rápido crescimento, mas que agora está se mostrando um obstáculo à tomada de decisões, disse o presidente-executivo Dara Khosrowshahi em um comunicado aos funcionários na quarta-feira (2).

Ao contrário de vários executivos de tecnologia, Khosrowshahi não atribuiu os cortes à IA, mesmo que a pressão para adotar a tecnologia e os ganhos de eficiência que ela pode proporcionar tenham impulsionado grandes demissões em massa no setor ⁠este ano, com o site layoffs.fyi contabilizando mais de ​123.000 demissões em massa em quase 390 empresas.

“Uma organização mais enxuta significará responsabilidades mais claras, decisões mais rápidas ​e mais tempo dedicado à construção em vez da coordenação. Também gerará economias que pretendemos reinvestir em crescimento, inovação e nas ⁠competências que serão mais importantes nos próximos anos”, disse Khosrowshahi.

O ⁠desempenho das ações da Uber ficou abaixo do índice S&P 500 e da concorrente Lyft este ano, com uma ​queda ‌de quase 8%, impulsionada por preocupações com o aumento da concorrência.

DoorDash , Instacart e as plataformas de entrega locais têm pressionado o Uber Eats, ⁠forçando a empresa a recorrer a acordos como a aquisição da Delivery Hero, avaliada em US$14,8 bilhões, para ganhar escala e competir melhor.

ROBOTÁXI
Parte da preocupação surge de relatos da crescente tensão entre a Uber e a Waymo, a maior operadora de robotáxis dos EUA, que utiliza o ‌aplicativo ⁠da Uber para operar ‌seus carros em Austin e Atlanta.

A Waymo também tem se expandido para novos mercados sem a Uber, enquanto rivais como a Tesla intensificam seus investimentos em robotáxis, alimentando temores de que uma frota crescente de carros autônomos possa corroer o lucrativo papel da Uber como intermediária ⁠entre veículos e passageiros.

Para defender sua posição, a Uber planeja investir mais ⁠de US$10 bilhões em robotáxis nos próximos anos, apoiando as empresas que desenvolvem sistemas de direção autônoma e se posicionando como um mercado de referência para viagens ‌sem motorista.

“À medida que a tecnologia de veículos autônomos e os relacionamentos crescem e se expandem, é necessário um tipo diferente de funcionário para escalar esse negócio, em comparação com um modelo baseado em motoristas humanos e todos os custos operacionais envolvidos, incluindo as camadas de gestão”, disse Adam Ballantyne, analista da Cambiar Investors, acionista da Uber.

Como parte da reestruturação anunciada na quarta-feira, ‌a Uber reduzirá em 20% o número de funcionários que ocupam sete ou mais níveis hierárquicos abaixo do presidente-executivo e cortará pela metade o número de equipes com apenas um ou dois subordinados diretos. A empresa também combinará algumas equipes e concentrará ⁠grande parte de sua equipe em centros estratégicos.

A empresa também limitará as funções totalmente remotas a cerca de 1% dos funcionários, mantendo, ao mesmo tempo, a política de três dias de trabalho presencial no escritório.

*Informações do site CNN Brasil.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

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