segunda, 24 de agosto de 2026
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ELEIÇÕES 2026: OS PLANOS PARA A POLÍTICA EXTERNA

Igor Lima - 24/08/2026 11:59

Os cinco candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto apresentaram propostas diferentes para a política externa brasileira nas eleições de 2026. Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) dedicam capítulos ao tema e mostram visões distintas sobre a relação do Brasil com Estados Unidos, China, países asiáticos, Mercosul e Brics.

Apesar das diferenças, há um ponto de convergência entre os programas: a intenção de ampliar mercados para produtos brasileiros, atrair investimentos estrangeiros e diversificar parceiros comerciais. A principal divergência está na definição de quais países e blocos devem ocupar posição estratégica na política externa brasileira.

LULA DEFENDE DIVERSIFICAÇÃO E FORTALECIMENTO DO BRICS

O presidente Lula propõe ampliar e diversificar as relações comerciais do Brasil, com aproximação de países da África, Ásia, Oriente Médio e Europa. O programa também prevê o aprofundamento das relações com o Brics e o G20.

Na visão apresentada pelo candidato, o Brasil deve manter uma política externa autônoma e ampliar sua participação nas discussões internacionais. O plano também defende reformas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e na Organização Mundial do Comércio (OMC), buscando aumentar a influência brasileira nos organismos multilaterais.

O programa de Lula também dá destaque ao conceito de soberania. Segundo levantamento recente, o termo aparece 42 vezes no documento apresentado para 2026, contra 22 menções no programa de 2022. A estratégia está relacionada à defesa da autonomia brasileira diante das grandes potências e à utilização da política externa como instrumento de desenvolvimento.

FLÁVIO BOLSONARO PRIORIZA ABERTURA COMERCIAL

Flávio Bolsonaro defende uma política de maior abertura comercial, especialmente para bens de capital, tecnologia e insumos. O plano prevê a ampliação de acordos comerciais e a busca por novos mercados.

Entre as propostas está a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de medidas para reduzir a dependência externa em setores considerados estratégicos. O candidato também propõe ampliar a internacionalização de pequenas e médias empresas e atrair investimentos estrangeiros para projetos ligados à transição energética.

A relação com o Mercosul também aparece entre os pontos de debate. Flávio já defendeu mudanças na estrutura do bloco e criticou o que considera limitações para que o Brasil negocie diretamente acordos comerciais com outros países.

CAIADO QUER MAIS MERCADOS PARA PRODUTOS BRASILEIROS

Ronaldo Caiado coloca a expansão dos mercados para produtos brasileiros entre as prioridades de sua política externa. O candidato defende a atração de investimentos internacionais e o aumento da complexidade tecnológica das exportações brasileiras.

O plano também prevê a consolidação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e uma aproximação maior com mercados da Ásia, da África e da região do Indo-Pacífico. Outra proposta é mapear dependências externas do Brasil e diversificar os parceiros para reduzir riscos econômicos.

A estratégia apresentada por Caiado procura combinar fortalecimento do comércio regional com uma expansão das relações brasileiras para outras partes do mundo.

RENAN SANTOS PRIORIZA AMÉRICA LATINA E ASEAN

Renan Santos apresenta uma proposta com maior foco na América Latina. O candidato defende o fortalecimento da liderança brasileira na região e a ampliação das relações com países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

O plano cita especialmente Vietnã e Filipinas como parceiros e também prevê maior integração com países de língua portuguesa, como Portugal, Angola e Moçambique.

Em relação ao Brics, Renan Santos adota uma postura mais pragmática. A proposta busca reduzir a dependência brasileira em relação à China e diminuir a exposição ao dólar. O candidato também defende que o Brasil tenha atuação como mediador de conflitos no continente africano.

ZEMA PROPÕE SAÍDA DO BRICS

Entre os cinco principais candidatos analisados, Romeu Zema apresenta a posição mais crítica em relação ao Brics. O candidato do Novo defende que o Brasil deixe o bloco e busque uma aproximação maior com países ocidentais e com nações da região do Pacífico.

Zema também propõe a entrada do Brasil na OCDE e o fortalecimento das relações dentro do Mercosul, especialmente com a Argentina. Ao mesmo tempo, defende mudanças na estrutura do bloco para torná-lo mais flexível e facilitar acordos comerciais.

O programa ainda prevê medidas para facilitar a entrada de turistas de países considerados seguros, incluindo a possibilidade de isenção de vistos.

MERCOSUL É PONTO DE CONVERGÊNCIA

Embora apresentem propostas diferentes, os candidatos reconhecem a importância do Mercosul para os interesses comerciais brasileiros. O bloco reúne Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia como Estados Partes e segue sendo uma das principais plataformas de integração econômica da América do Sul.

A diferença está no papel que cada candidato pretende atribuir ao Mercosul. Enquanto alguns defendem o fortalecimento da integração e de acordos conjuntos, outros propõem uma estrutura mais flexível, com maior liberdade para negociações individuais.

RELAÇÃO COM EUA E CHINA

A relação com Estados Unidos e China é outro dos principais pontos de divergência. Os programas variam entre uma aproximação maior com Washington, a manutenção de relações estratégicas com Pequim e uma política de diversificação para evitar dependência de qualquer potência.

O debate ocorre em um cenário internacional marcado por tensões comerciais. O Brasil enfrenta atualmente tarifas impostas pelos Estados Unidos e tenta negociar uma solução, ao mesmo tempo em que mantém a China como um dos principais parceiros comerciais.

As propostas dos presidenciáveis, portanto, apontam para diferentes caminhos: Lula prioriza o multilateralismo e o fortalecimento do Brics; Flávio Bolsonaro aposta em abertura comercial e maior integração econômica; Caiado defende diversificação de mercados; Renan Santos concentra esforços na América Latina e na Asean; e Zema propõe a saída do Brics e uma aproximação maior com a OCDE e países do Pacífico.

Com isso, a política externa deverá ser um dos temas relevantes da disputa eleitoral de 2026, principalmente diante das mudanças no cenário internacional, da disputa comercial entre grandes potências e da necessidade de o Brasil ampliar mercados sem aumentar sua dependência de um único parceiro.

 Foto: Montagem/g1

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