

O reitor nomeado da Universidade Federal da Bahia (Ufba), João Carlos Salles, criticou o uso da universidade para disputas políticas após a confusão envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL), na Faculdade de Comunicação (Facom), em Salvador. Em entrevista à Rádio Metropole nesta segunda-feira (24), Salles afirmou que a instituição deve ser espaço de manifestação, liberdade e produção de conhecimento, mas não de confrontos.
“Algumas pessoas estão querendo causar na universidade para chamar a atenção, para ganhar alguns poucos votos. Querem ser representantes da direita fazendo alguma algazarra na universidade”, afirmou.
Salles diferenciou as manifestações políticas tradicionais daquilo que classificou como uma tentativa de provocar conflitos dentro da instituição.
“Algazarra embrutecida não é a boa balbúrdia que nós fazemos. Nós somos a universidade pública da balbúrdia, da manifestação, da liberdade, do conhecimento, do combate à ignorância; não é local da barbárie”, declarou.
Segundo o reitor nomeado, representantes políticos deveriam contribuir para o funcionamento da universidade, inclusive na busca por recursos, em vez de utilizar episódios ocorridos no ambiente acadêmico para obter exposição política.
Entenda a confusão
O episódio envolvendo Diego Castro ocorreu na quinta-feira (20), quando o deputado esteve na Facom acompanhado por integrantes de sua equipe. Segundo Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico Vladimir Herzog, Castro produzia um conteúdo sobre a identificação do banheiro feminino quando foi questionado por estudantes.
Muniz afirmou ter sido xingado pelo parlamentar e, posteriormente, empurrado por um dos seguranças que acompanhavam o deputado.
A assessoria de Diego Castro apresentou outra versão. Segundo o grupo, o parlamentar foi à Ufba após receber uma denúncia sobre a presença de adesivos em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas dependências da universidade.
Ainda de acordo com a assessoria, Castro retirou parte do material e reagiu aos protestos de estudantes, que o chamaram de “fascista”. O deputado teria afirmado que houve uma tentativa de impedir a fiscalização e o questionamento sobre os adesivos.
Salles se prepara para assumir gestão
Além de comentar o episódio, João Carlos Salles afirmou que pretende concentrar sua atuação na próxima etapa da gestão da Ufba.
Entre as prioridades citadas estão a revisão das demandas da universidade e visitas às unidades e congregações. O reitor nomeado também convidou a comunidade acadêmica para a transmissão de cargo, marcada para 3 de setembro.
“Todo mundo junto para defender a Ufba”, afirmou.
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