

O combate à violência contra a mulher em Salvador conta com uma rede municipal que reúne ações de acolhimento, atendimento e segurança para as vítimas, promovidas por diferentes órgãos. Entre as iniciativas estão o Alerta Salvador — Juntos pela Erradicação da Violência contra a Mulher, o Botão Lilás e a Patrulha Guardiã Maria da Penha.
Somente entre 2025 e 2026, por exemplo, a Patrulha Guardiã Maria da Penha realizou mais de 800 atendimentos relacionados à violência contra a mulher. Entre as ocorrências mais recorrentes estão casos de importunação sexual, especialmente em ônibus, pontos de ônibus e locais de grande circulação, além de descumprimentos de medidas protetivas.
A atuação envolve desde o acompanhamento de vítimas atendidas na Casa da Mulher Brasileira até o atendimento de ocorrências acionadas por meio do Botão Lilás. Coordenada pela guarda civil municipal Jéssica Reis, que está há 18 anos na corporação e há dois anos e meio à frente da Patrulha, a iniciativa funciona 24 horas por dia.
Jéssica explica que, quando uma mulher chega à unidade e precisa permanecer no local por não ter para onde ir, a Patrulha realiza a segurança durante as primeiras 48 horas, período em que ela aguarda as medidas protetivas. Além disso, o trabalho também inclui o acompanhamento em deslocamentos para outros serviços, como unidades de saúde e locais para realização de exames.
“Muitas vezes, elas chegam machucadas, assim como os filhos. Quando precisam ir à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou realizar exame de corpo de delito, a Patrulha Guardiã faz o acompanhamento no carro da Prefeitura, que estará com ela e com um assistente social ou enfermeiro. Fazemos esse deslocamento com segurança, levamos a mulher ao local necessário e depois retornamos com ela para a Casa”, explica a coordenadora.
Proteção
Outra frente de combate à violência é o Botão Lilás, que funciona como uma ferramenta de acesso direto à rede de proteção. Disponibilizado pelo WhatsApp da Prefeitura de Salvador, o serviço pode ser acionado pela própria mulher ou por uma terceira pessoa que esteja presenciando uma situação de violência. Após o pedido de ajuda, a ocorrência é direcionada para a Guarda Civil Municipal, que verifica a localização e pode encaminhar a viatura mais próxima para o atendimento.
“Quando é acionado, um profissional capacitado passa a conversar com a pessoa que fez o acionamento e coleta informações como localização, situação da vítima, presença de filhos e existência de medida protetiva. Enquanto o atendimento é realizado, a equipe verifica qual é a viatura mais próxima do local. As informações também são repassadas ao comandante da guarnição, permitindo que os agentes cheguem à ocorrência com um panorama prévio da situação”, explica Jéssica.
Quando o agressor é localizado, ele é encaminhado à delegacia para o registro da ocorrência e adoção das medidas cabíveis pela Polícia Civil. Em Salvador, os casos podem ser apresentados às unidades especializadas de atendimento à mulher, como as localizadas na Casa da Mulher Brasileira, e às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher de Brotas e Periperi.
Quando o agressor não é localizado, a vítima também é encaminhada para registrar o descumprimento. O objetivo é garantir que o fato seja incluído no processo e chegue ao conhecimento da Justiça. (Texto: Nilson Marinho / Secom PMS)
Foto: Lucas Moura e Bruno Concha / Secom PMS.



