

Com dois dos principais candidatos a presidência da República ausentes, o primeiro debate realizado na noite deste domingo (23) teve a participação de Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não participaram e os espaços reservados aos três candidatos ficaram vazios.
Renan, Caiado e Cury debateram temas como segurança pública, situação fiscal, educação, violência contra a mulher, relações do Brasil com os Estados Unidos e o fim da escala 6×1.
Antes de o debate começar, Renan mostrou fraldas com os nomes de Flávio e Lula, Cury chegou a anunciar que não participaria, e integrantes da Unidade Popular (UP) protestaram contra a ausência da candidata Samara Martins no evento.
O debate foi dividido em três blocos, com dois momentos de confronto direto entre os candidatos. Os tempos de resposta, réplica e tréplica são controlados eletronicamente.
1º bloco: os candidatos respondem primeiro a perguntas dos âncoras, com dois minutos para cada resposta. Depois, há confronto direto: cada candidato escolhe um adversário para questionar e tem um minuto para a pergunta e um minuto para a réplica. O candidato questionado tem quatro minutos para dividir entre resposta e tréplica e só pode ser escolhido uma vez.
2º bloco: jornalistas fazem perguntas e escolhem um candidato para responder e outro para comentar. O candidato questionado tem quatro minutos para dividir entre resposta e réplica; o outro tem um minuto para o comentário.
3º bloco: há um novo confronto direto, com as mesmas regras do primeiro bloco: um minuto para pergunta e réplica e quatro minutos para o adversário dividir entre resposta e tréplica. Ao final, cada candidato tem um minuto e meio para as considerações finais.
Segurança pública
No primeiro bloco, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury responderam a perguntas dos apresentadores sobre segurança pública, situação fiscal e educação. Na sequência, os candidatos participaram de confrontos diretos, em que também discutiram violência contra a mulher, programas sociais, educação e polarização política.
Questionado sobre propostas para melhorar a segurança pública, Renan Santos iniciou a resposta entre os púlpitos vazios de Lula e Flávio e chamou os dois de “covardes”.
Na segurança, Renan apresentou três propostas: declarar estado de defesa e utilizar operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em regiões tomadas pelo crime organizado, construir “superpresídios”, com entre 300 mil e 500 mil vagas, e uma maior integração entre o governo federal e os estados no combate às facções criminosas.
O candidato afirmou ainda que, em seu governo, estados que não atuassem no enfrentamento ao crime organizado poderiam sofrer intervenção federal. “Essa será a guerra. Nós vamos enfrentar o crime organizado como nunca antes na história do nosso país”, disse.
Equilíbrio fiscal
Ronaldo Caiado foi questionado sobre o desequilíbrio fiscal, a dívida pública e os juros e começou a resposta mencionando as ausências de Lula e Flávio. Segundo ele, eram esperados no debate os “dois pré-candidatos que são também os mais rejeitados no país”.
Ao falar sobre economia, Caiado disse que seria necessário dar um “choque de credibilidade” no país. Defendeu a contenção de despesas e afirmou que buscaria reduzir os juros e levar a inflação para a faixa de 3% a 4%.
Polarização, Lula e Bolsa Família
No primeiro confronto direto, Renan disse que queria dirigir sua pergunta a Lula. A apresentadora informou que isso não seria permitido pelas regras e que ele deveria escolher um dos candidatos presentes. Renan então fez a pergunta a Cury.
Renan citou o “mensalão” e “petrolão”, criticou o governo Lula e questionou Cury sobre os motivos que levariam parte do eleitorado a continuar votando no presidente. “Poderia me explicar a psique desse eleitor?”. Cury respondeu que o Brasil está “dramaticamente doente, polarizado, radicalizado” e afirmou que é uma ideia “mentirosa” considerar que os brasileiros estejam divididos em dois grupos.
Cury também defendeu mudanças no Bolsa Família. Disse considerar o programa importante, mas afirmou que ele precisa ser ajustado para estimular os beneficiários a aumentar a renda. Defendeu, por exemplo, que quem conseguir emprego com carteira assinada ou abrir uma microempresa não perca imediatamente o benefício.
Violência
No confronto seguinte, Cury direcionou sua pergunta a Caiado e afirmou que, caso fosse eleito presidente, criaria um Ministério da Segurança e convidaria o ex-governador de Goiás para integrá-lo.
“Você vai ser o xerife do Brasil. Você vai estar no meu governo”, disse Cury. Em seguida, perguntou a Caiado sobre as violências sofridas pelas mulheres brasileiras.
Caiado recusou o convite, dizendo que ele próprio estaria na Presidência da República, e afirmou que o avanço do feminicídio é uma “grande chaga no país”. “As mulheres vêm sendo agredidas, violentadas pelo seu companheiro ou aquele que é o seu marido. Isso nós precisamos combater duramente”, afirmou.
Educação
No último confronto direto do bloco, Caiado perguntou a Renan sobre educação. Criticou os resultados brasileiros no ensino fundamental, no ensino médio e no Enem e questionou quais seriam as propostas do candidato para tornar os jovens brasileiros mais competitivos.
Renan afirmou que há uma “sabotagem ao ensino fundamental” no Brasil e defendeu a alfabetização pelo método fônico. Também disse que os professores perderam autoridade em sala de aula e criticou a distribuição dos recursos destinados à educação.
Segundo ele, o país gasta pouco no ensino básico em comparação com países da OCDE e financia “universidades públicas caríssimas” que não estariam melhorando o desempenho brasileiro nos rankings.
Segurança pública
Questionado sobre como atuaria no combate ao crime organizado sem retirar a autonomia dos governadores, Caiado afirmou que o Brasil vive hoje “em clima de guerra” e disse que grande parte do território nacional está sob domínio de facções.
Caiado acusou o governo Lula de ser conivente com as facções criminosas e disse que, se eleito, investiria em inteligência artificial, treinamento e integração das forças de segurança. Também afirmou que pretende ampliar a autonomia dos governadores na área.
(Fonte g1)
Foto: renato pizzutto/divulgação/band.



