

Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) presente, a Petrobras, por meio de sua presidente Magda Chambriard, confirmou a descoberta de petróleo na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, nesta segunda-feira (17), em coletiva de imprensa.
Na última sexta-feira (14/8), a estatal havia anunciado a identificação de hidrocarbonetos em poço exploratório. O petróleo é formado majoritariamente por hidrocarbonetos, composto por carbono e hidrogênio.
Apesar de confirmar a presença de petróleo na região, Chambriard explicou que a exploração do poço deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias. “Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área”, afirmou.
De acordo com a presidente, o real potencial da região ainda é investigado. Ainda está prevista a perfuração de mais três poços na localidade e de outros cinco em áreas adjacentes. “É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região”, completou Chambriard.
A fase atual é de avaliação exploratória e tenta reconhecer o volume de hidrocarbonetos existente no reservatório e se a quantidade é economicamente viável para a produção de combustível.
Segundo a estatal, os hidrocarbonetos foram identificados por meio de perfis elétricos e amostras de rochas coletadas durante a perfuração no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá.
Perfuração de poço
A Petrobras, que detém 100% de participação na área, obteve autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a perfuração do poço em outubro de 2025, às vésperas do início da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) – sediada pelo Brasil.
À época, especialistas em meio ambiente e energia demonstraram preocupação com a medida. O engenheiro elétrico Ricardo Fujii, especialista em conservação do WWF-Brasil, chegou a classificar a autorização como uma “ameaça direta a uma das regiões mais biodiversas do planeta.”
O processo de exploração também não ficou livre de polêmicas. Em janeiro de 2026, um acidente com vazamento de fluido de perfuração levou à paralisação das atividade. Dias depois, o Ibama confirmou a descarga do fluido – uma mistura oleosa utilizada nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás – para o mar.
Segundo o órgão, a substância possui componentes classificados como de risco médio à saúde humana e ao ecossistema aquático, conforme prevê a Lei nº 9.966/2000 e a Instrução Normativa nº 14/2025. A estatal foi multada em R$ 2,5 milhões.
Com informações de Metrópoles.
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.