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ELEVADOR LACERDA PODE MUDAR DE NOME APÓS INVESTIGAÇÃO DO MP-BA; ENTENDA

Bruna Carvalho - 17/08/2026 11:33 - Atualizado 17/08/2026

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu uma investigação para apurar a origem histórica do nome do Elevador Lacerda, um dos principais cartões-postais de Salvador. A apuração busca identificar se existem documentos que relacionem Antônio de Lacerda, homenageado no nome do equipamento, à escravidão ou a estruturas escravocratas.

O procedimento foi instaurado em 5 de agosto pela 1ª Promotoria de Justiça de Direitos Humanos e está sob responsabilidade da promotora Lívia Maria Santana e Sant’Anna Vaz. Além da origem do nome, o MP-BA pretende analisar os possíveis impactos patrimoniais, culturais, urbanísticos e simbólicos de uma eventual alteração da denominação.

Caso a investigação encontre evidências de uma relação da família Lacerda com a escravidão, o Ministério Público avalia duas possibilidades: a mudança do nome do equipamento ou a manutenção da denominação atual acompanhada de ações de contextualização histórica.

Na primeira hipótese, o Elevador Lacerda poderia receber outro nome, relacionado a valores contemporâneos ou a figuras ligadas à resistência e à luta pela liberdade. Na segunda, seriam instaladas placas, memoriais ou outros recursos educativos para explicar o contexto histórico relacionado ao homenageado.

Até o momento, o MP-BA não informou como seria escolhida uma eventual nova denominação. O processo poderia envolver a participação popular ou depender da apresentação e aprovação de projetos de lei pelo Legislativo competente.

Origem do nome
Inaugurado no século XIX, o Elevador Lacerda liga a Cidade Alta à Cidade Baixa e integra o conjunto histórico do Centro de Salvador. O equipamento recebeu o nome em homenagem ao engenheiro Antônio de Lacerda, responsável pela idealização da obra, e à família dele.

Pesquisas e registros históricos apontam que parte da riqueza da família, utilizada para financiar e viabilizar o empreendimento, pode ter sido acumulada por meio do tráfico ilegal de africanos escravizados.

É justamente essa possível relação que será analisada pelo MP-BA. A investigação deverá buscar documentos capazes de confirmar ou afastar a ligação da família Lacerda com a escravidão antes de qualquer decisão sobre a manutenção, alteração ou contextualização do nome do equipamento.

Foto: Bruno Concha/Secom

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