

Wagner Andrade, CEO da dataRain. (Foto: Divulgação)
Enquanto 78% das empresas globais testam ferramentas de Inteligência Artificial, apenas 24% conseguem transformá-las em operações rentáveis e em larga escala. O dado da consultoria McKinsey escancara um gargalo de governança que se tornou a principal tese de crescimento da dataRain, consultoria brasileira especializada em arquitetura digital avançada, nuvem e inteligência artificial. Para não ser engolida pela própria estatística do setor em que atua, a companhia decidiu mudar sua estrutura de dentro para fora, começando pela cadeira do CEO e estendendo a transformação para a formação técnica de seus times.
A tese de Wagner Andrade, CEO da dataRain e executivo com mais de 30 anos de bagagem corporativa e passagens por gigantes como Microsoft, Oracle e Motorola, é pragmática: não se vende solução de IA sem testá-la no núcleo estratégico do próprio negócio. A tática adotada pelo executivo foi delegar parte de sua rotina a um agente de Inteligência Artificial configurado como seu “assistente executivo”. É o algoritmo que hoje varre dados do mercado, cruza posicionamentos competitivos e entrega insumos mastigados para a tomada de decisão da diretoria.
Para desenvolver este assistente virtual, Andrade tomou alguns cuidados, para evitar tanto as alucinações (AI hallucinations), quanto a tendência das IAs praticarem a bajulação com o usuário (AI sycophancy), programando-o com instruções muito estritas de só trabalhar com dados de fontes relevantes e específicas que passaram por curadoria, não inventar resultados e clara delimitação dos resultados esperados para evitar as alucinações. Da mesma forma, instruções estritas de ser sempre desafiante, questionando o pensamento do líder, direto, sem rodeios, contextual e fundamentado em dados e fontes sólidas e confiáveis, nunca ser genérico, são os cuidados tomados para evitar a Bajulação de IA.
A imersão da liderança puxou uma reestruturação profunda na base operacional, alterando o próprio perfil do profissional de tecnologia contratado pela empresa. Na dataRain, a codificação manual cedeu espaço para a arquitetura de sistemas. “Cada vez mais quem faz a programação não são humanos, são agentes de inteligência artificial. O papel do humano passa a ser o de atuar como um arquiteto dessa solução, fazer uma análise crítica e testar à exaustão”, afirma Andrade.
A mudança mira no calcanhar de aquiles que faz 76% dos projetos corporativos de IA morrerem na fase piloto: a falta de governança, testes rigorosos e supervisão humana. Desenvolvedores que passam a atuar como auditores e arquitetos de software garantem a confiabilidade exigida por grandes corporações antes que os sistemas ganhem escala.
“O mercado achou que IA era só gerar código mais rápido. O resultado foi uma montanha de sistemas instáveis que nenhuma diretoria de segurança ou compliance tem coragem de colocar em produção. Se você não tem um arquiteto humano validando a lógica, a velocidade vira prejuízo em segundos”, reforça Andrade.
Mercado e expansão nacional
A estratégia de validação rápida não é nova para a dataRain. Durante o pico da pandemia de Covid-19, a companhia acelerou seu crescimento ao prover infraestrutura em nuvem para iniciativas de telemedicina e ensino a distância (EAD) em tempo recorde.
“Ali fomos testados no limite porque o cliente não podia esperar meses por uma migração. Aprendemos que a agilidade de startup, quando combinada com rigor de arquitetura corporativa, é a única defesa real contra momentos de disrupção do mercado”, relembra o executivo.
Com uma equipe de 80 colaboradores, a empresa agora foca em contornar as incertezas e a burocracia do “Custo Brasil” por meio de uma revisão contínua do seu plano de negócios. O foco atual da expansão está na descentralização: prospectar novos contratos corporativos fora do tradicional eixo Rio-São Paulo, apostando na maturidade de governança em IA para capturar fatias de mercado no interior do país e em novas regiões produtivas.
“As maiores oportunidades de eficiência e automação com IA não estão restritas ao centro financeiro de São Paulo. O grande volume de expansão da economia real está no agronegócio, na indústria regional e nos pólos produtivos do interior. É lá que a maturidade técnica em dados e nuvem vai fazer a diferença no resultado final das empresas”, finaliza Wagner.
Sobre a dataRain
Fundada em 2018, em São Paulo, a dataRain foi criada por Wagner Andrade, Guilherme Belinelo e pela Venture Labs, que compõem o quadro de sócios fundadores da companhia. A empresa se consolidou como uma consultoria brasileira que transforma tecnologia em vantagem competitiva para organizações que buscam crescer com eficiência, segurança e inteligência de dados.
Com mais de 200 projetos entregues em setores como saúde, mercado financeiro, educação e governo, a dataRain atua ao lado de lideranças executivas na construção de ambientes digitais mais escaláveis, seguros e orientados por dados, sempre com foco em geração de valor, redução de custos e ganho de performance operacional.
Parceira estratégica da AWS e uma das primeiras empresas 100% nacionais a conquistar a Competência de Governo da plataforma, a companhia alia expertise em dados, inteligência artificial generativa, cloud e cibersegurança para apoiar processos de expansão e modernização, ajudando empresas a acelerar resultados e crescer de forma sustentável.