segunda, 27 de julho de 2026
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RONALDO CAIADO PODE SUPERAR FLÁVIO BOLSONARO E IR PARA O 2º TURNO?

Redação - 27/07/2026 08:50 - Atualizado 27/07/2026

Ronaldo Caiado lançou sua candidatura à Presidência da República neste domingo (26), em um cenário que, à primeira vista, parece pouco favorável. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma base eleitoral consolidada.

Do outro, Flávio Bolsonaro herdou a força política do sobrenome do pai e ocupa o espaço majoritário da direita. Em poucas palavras: Caiado precisa disputar simultaneamente o eleitorado de centro e uma parcela da direita que, até aqui, parece majoritariamente inclinada ao bolsonarismo.

Então vem a pergunta inevitável: há alguma possibilidade de Caiado superar Flávio e ir para o 2º turno? A resposta é sim. Afinal, em política tudo é possível, mas uma série de condicionantes precisa ser superada.

O primeiro deles, Caiado já venceu e  compreendeu que não basta atacar Lula. Se pretende crescer, precisa disputar o eleitor que hoje está com Flávio Bolsonaro. É exatamente nesse sentido que podem ser interpretadas suas declarações mais recentes.

Ao afirmar que “quem rouba com a mão direita ou esquerda é ladrão”, ele procura colocar Lula e Flávio no mesmo patamar. E, ao dizer que o país não pode escolher um “candidato Kinder Ovo”, cuja surpresa só se descobriria quando se abrisse a embalagem, tenta atingir o principal ativo político do senador: o fato de ser herdeiro direto do bolsonarismo.

Até aí, tudo bem. Mas o ex-governador de Goiás precisa transformar a crítica em votos. No Datafolha mais recente, divulgado em julho, Lula tem 41% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro tem 31% e Caiado aparece abaixo de 5%. A diferença é tão grande que a tarefa parece quase impossível.

Mas há um dado que merece atenção: os índices de rejeição. Levantamento do Datafolha divulgado em julho de 2026 indica que Flávio Bolsonaro tem 48% de rejeição, Lula 46% e Ronaldo Caiado apenas 12%. Este é um dado a favor, ou seja, há poucos eleitores que dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Isso não garante crescimento, mas cria uma condição necessária para ele.

Há espaço para Caiado crescer, pois, a soma do grupo de eleitores que não declaram voto nem em Lula nem em Flávio Bolsonaro no 1º turno, chega a 28%, e ainda existe 10% que estão indecisos, segundo o Datafolha de julho de 2026. Ou seja, há espaço para crescer, pois existe um eleitorado que rejeita os dois pólos da polarização. O problema é que esse grupo não se transforma automaticamente em votos para um único candidato e se divide entre os candidatos da direita.

Para alcançar esse eleitorado, Ronaldo Caiado precisa atuar fortemente para atingir o eleitor que rejeita tanto Lula quanto o bolsonarismo; que é de direita, mas não se identifica com o bolsonarismo mais radical; que rejeita Lula, mas não quer votar em Flávio Bolsonaro.

Além disso, o ex-governador de Goiás precisa tornar-se mais conhecido nacionalmente, uma etapa que Lula e Flávio já venceram.

Por fim, a candidatura de Caiado precisa construir uma identidade própria. Se for percebido apenas como “mais um candidato contra Lula”, sua candidatura terá dificuldade para se diferenciar de Flávio Bolsonaro. Se for percebido como um candidato que apenas critica o bolsonarismo, poderá perder espaço para o eleitor de direita que considera o legado de Jair Bolsonaro um fator decisivo.

Caiado precisa, portanto, ocupar um território político específico: a direita que não quer Lula, mas também não quer votar no bolsonarismo hereditário. Esse espaço existe. A pergunta é quantos eleitores estão dispostos a votar nele.

O que se depreende deste cenário é que Caiado parece ter mais potencial de crescimento do que seu percentual atual sugere. Sua rejeição é relativamente baixa, seu nível de desconhecimento ainda é relevante e, em alguns cenários de segundo turno, ele aparece muito mais competitivo do que no primeiro.

Sua estratégia de atacar simultaneamente Lula e Flávio Bolsonaro também está correta. Caiado compreendeu o problema e sabe que precisa tirar votos dos dois pólos. Se ficar apenas batendo em Lula, será engolido pelo bolsonarismo. Se atacar apenas Flávio, perderá parte do eleitorado que rejeita o PT. Mas, ainda assim, será muito difícil vencer a polarização cristalizada entre Lula e o bolsonarismo. E será a evolução da campanha que definirá o verdadeiro tamanho eleitoral de Ronaldo Caiado. (EP – 27/07/2026)

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