quinta, 23 de julho de 2026
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VEREADORA DENUNCIA QUE ALIADOS DE ACM NETO GANHAM CARGOS NA LIMPURB

João - 22/07/2026 13:33

Enquanto Salvador acumula reclamações sobre lixo espalhado nas ruas, entulhos nas calçadas e falhas na coleta, a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador mantém em sua folha três ex-prefeitos do interior ligados ao grupo político de ACM Neto. As nomeações foram feitas durante a gestão de Bruno Reis e integram uma rede mais ampla de acomodação de aliados em órgãos e empresas municipais.

Ao comentar o caso, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), coordenadora do programa Câmara Itinerante na Câmara Municipal, ironizou: “A gestão de Bruno Reis joga sujo com a população, mas é limpeza para os aliados do grupo de ACM Neto: abre cargos na administração e ocupa, com indicações políticas, espaços que deveriam ser destinados a técnicos qualificados”. Em junho, lembrou ela, durante a sessão da Câmara Itinerante na região de Cajazeiras, Águas Claras e Valéria, a principal queixa das lideranças comunitárias foi com relação à limpeza urbana.

Aladilce, inclusive, chegou a fiscalizar a situação, no final de linha de Águas Claras, onde moradores denunciaram e mostraram montanhas de lixo em plena via. O mesmo aconteceu em Cajazeiras e Valéria.

Paralisação

O levantamento mais recente identificou oito ex-prefeitos em cargos comissionados da administração municipal, distribuídos pela Limpurb, Desal, Segov, Smart e Semit. Segundo os dados publicados, os pagamentos acumulados ao grupo chegam a R$ 3,4 milhões. Sete permaneciam ativos em junho de 2026 e receberam, juntos, R$ 120,7 mil apenas naquele mês. Seis dos oito foram nomeados assessores especiais, funções de livre escolha do prefeito.

A Limpurb é o órgão que concentra o maior número deles. Pedro Alves de Oliveira, ex-prefeito de Curaçá, e Rodrigo Hagge Costa, ex-prefeito de Itapetinga, ocupam cargos de assessor especial IV e receberam, cada um, R$ 26.152,97 na folha de junho. Ezenivaldo Alves Dourado, ex-prefeito de Canarana, é assessor especial II da Diretoria de Operações e recebeu R$ 6.679,53. Juntos, os três custaram quase R$ 59 mil aos cofres municipais naquele mês.

Os documentos disponíveis confirmam cargos, salários e datas de admissão, mas não apresentam currículos, relatórios de atividades, registros de frequência nem resultados concretos produzidos pelos nomeados. Também não demonstram experiência específica dos três em gestão de resíduos, engenharia sanitária, logística de coleta ou limpeza urbana. “Enquanto os aliados encontram espaço na empresa, moradores convivem com situações bem menos confortáveis”, frisou Aladilce, observando que, em março, moradores de São Caetano também denunciaram lixo acumulado e até animais mortos provocando mau cheiro e dificultando a passagem de pedestres no bairro. O mesmo aconteceu em  Pernambués e na Avenida Luiz Tarquínio, na Boa Viagem.

Em todos os casos, a Limpurb afirmou que realizava coleta frequente e pediu colaboração à população. Em junho, uma paralisação nacional dos trabalhadores interrompeu a coleta em Salvador e expôs a fragilidade do plano de contingência municipal. Mesmo depois do encerramento do movimento, moradores da Liberdade relataram vários dias sem recolhimento; em São Marcos, uma montanha de lixo bloqueou a circulação de pedestres e veículos; e, no Santo Antônio Além do Carmo, os resíduos continuaram espalhados por diversos pontos.

Foto: Fabiana Guia

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