

O governo federal estima que cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas pela nova tarifa de 25% anunciada pelo governo norte-americano. O impacto representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões em produtos enviados ao mercado dos EUA, considerando os dados de 2024.
A informação foi divulgada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias, durante uma coletiva nesta quinta-feira (16). Segundo ele, ao considerar os números de 2025, já com a aplicação das tarifas, a parcela afetada pode cair para cerca de 15%.
Para reduzir os efeitos sobre empresas e trabalhadores, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o governo federal prepara um programa de apoio aos setores prejudicados pela medida.
Alckmin classificou o tarifaço como “injusto e descabido” e afirmou que o Brasil avalia utilizar a Lei da Reciprocidade, que permite a adoção de medidas equivalentes contra barreiras comerciais impostas por outros países.
A sobretaxa norte-americana foi anunciada após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras. O governo brasileiro criticou a decisão e informou que poderá recorrer a mecanismos internacionais, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC).
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também reagiu à medida e afirmou que o Brasil manteve esforços de negociação com os Estados Unidos. Ele criticou declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que atribuiu ao governo brasileiro a responsabilidade pelo impasse.
Entre os produtos que podem ser afetados estão máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, calçados, roupas, papel, etanol, açúcar orgânico, produtos de madeira, celulose e alguns produtos químicos.
Apesar da nova cobrança, alguns itens ficaram fora da lista de tarifas por serem considerados importantes para o mercado norte-americano. Entre eles estão café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja.
Foto: Júlio César Silva/MDIC