terça, 09 de junho de 2026
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CACHÊS DO SÃO JOÃO DA BAHIA CHEGAM A R$ 1 MILHÃO E GERAM CONTROVÉRSIA; ENTENDA

Bruna Carvalho - 09/06/2026 09:00 - Atualizado 09/06/2026

Os maiores cachês pagos pelas prefeituras baianas para o São João de 2026 estão concentrados em artistas do sertanejo e de outros gêneros musicais fora do forró tradicional. Dados do portal de transparência do Ministério Público da Bahia (MP-BA) apontam que os valores chegam a R$ 1,1 milhão, enquanto nomes históricos do forró recebem cachês significativamente menores. O levantamento reúne contratos firmados por 137 prefeituras baianas e mostra que nenhum dos dez maiores cachês pertence a representantes do forró tradicional.

O cantor Gusttavo Lima aparece no topo da lista, com cachê de R$ 1,1 milhão. Na sequência estão Wesley Safadão, com R$ 1 milhão, Luan Santana e Victor & Léo, com R$ 750 mil, além de Nattan e Ana Castela, com R$ 700 mil. Também figuram entre os maiores valores Zé Neto & Cristiano, Maiara & Maraisa, Leonardo e Bruno & Marrone com R$ 670 mil, R$ 654 mil
e R$ 650 mil, respectivamente.

Entre os artistas citados, apenas Wesley Safadão e Nattan são nordestinos e ligados ao chamado forró estilizado. Ainda assim, os valores pagos a eles superam em mais de quatro vezes os cachês recebidos por artistas tradicionais do gênero junino, como Alceu Valença, Elba Ramalho e Alcymar Monteiro.

A diferença nos valores gerou críticas de artistas e de parte do público, que cobram maior valorização da cultura nordestina nas festas juninas. O cantor Flávio José anunciou o cancelamento de cerca de 15 apresentações na Bahia após questionamentos do MP-BA sobre o valor do cachê cobrado pelo artista para 2026.

“Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas que nada têm a ver com forró, como sertanejos, ganham rios de dinheiro”, declarou.

Segundo o artista, o valor cobrado por apresentação era de R$ 350 mil, cerca de 40% superior ao cachê praticado em 2025. A repercussão gerou reação nas redes sociais, com internautas questionando a diferença de tratamento entre artistas de gêneros distintos.

O cantor Santanna também criticou a situação e afirmou que os forrozeiros vêm perdendo espaço nas festas juninas. “A cultura popular nordestina está sendo vilipendiada depois desse ataque ao nosso maior nome do forró”, afirmou.

Já o cantor e compositor Flávio Leandro apontou desigualdade nos cachês pagos a artistas locais e criticou a ausência de políticas de valorização para músicos regionais.

“Existe a farra dos cachês, sim. É clara, nítida; mas tem uma lista de coisas inconclusas e a maior de todas elas é o piso dos cachês de artistas de bairro, dos trios de forró, de Zé, de Maria, de Pedro e de Chiquinha, que se submetem a cachês humilhantes que roubam sonhos, paz e dignidade”, disse em entrevista ao PipocaCast,.

Um levantamento do portal Uol aponta que existem 201 contratos inferiores a R$ 1 mil para artistas locais em festas juninas na Bahia, incluindo apresentações de R$ 200. Em nota, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) afirmou que mantém, desde 2022, um portal de transparência para monitoramento dos gastos públicos com festas juninas. Segundo o órgão, os cachês médios pagos por municípios baianos subiram de R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil nos últimos quatro anos. Diante disso, foi recomendado que os valores pagos em 2026 sejam limitados ao montante contratado em 2025, acrescido da inflação.

Ainda de acordo com a pasta, a medida já resultou na redução de R$ 18,7 milhões em contratos revisados. Até o momento, 501 contratos em 214 municípios passaram por análise. Além disso, mais de 100 municípios foram notificados por pagamentos acima do recomendado, incluindo contratações de Flávio José por R$ 350 mil. Segundo o MP-BA, critérios como notoriedade e projeção artística são considerados na avaliação dos contratos firmados pelas prefeituras.

Foto: Divulgação

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