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EMPREENDEDORISMO DE SERVIÇOS CRESCE 86% SEGUNDO LEVANTAMENTO DO SEBRAE

João - 06/06/2026 08:15

Em entrevista para o Bahia Econômica, a estrategista Lilian Tostas explica por que, apesar do relevante conhecimento técnico, a falta de gestão financeira e comercial faz novos negócios não conseguirem decolar.

Entre 2019 e 2025, o empreendedorismo de serviço cresceu 86% no país, segundo levantamento do Sebrae. Apenas no último ano, 3 milhões de pequenos negócios foram iniciados. No entanto, em meio a esse crescimento há um fenômeno silencioso acontecendo: pessoas com carreiras consolidadas, principalmente mulheres com vasta reputação e autoridade em suas áreas que, na hora de criar um negócio próprio, não conseguem ir adiante.

O erro mais comum é que essas pessoas acreditam que precisam de mais um curso ou de mais coragem, quando o verdadeiro problema é a ausência de uma estrutura previsível de negócios. Elas sabem o que fazem, mas não sabem como precificar, organizar ou vender o conhecimento de forma profissional, ficando reféns do amadorismo ou de indicações eventuais. Assim, não conseguem, em sua maioria, ter um fluxo de caixa sustentável.

Lilian Tostas, estrategista de negócios, estuda esse comportamento e defende uma mudança drástica de paradigma: a transição para uma estrutura real de empresa baseada em conhecimento.

O Bahia Econômica aprofundou o tema com a estrategista, buscando entender melhor o fenômeno. Confira a entrevista:

Como podemos entender esse movimento crescente do empreendedorismo de serviços no país?

O crescimento do empreendedorismo de serviços está diretamente ligado a uma mudança na forma como as pessoas enxergam trabalho, carreira e geração de renda. Durante muito tempo, o conhecimento acumulado ao longo da vida profissional era utilizado exclusivamente dentro das empresas. Hoje, esse conhecimento passou a ser percebido como um ativo que também pode gerar valor de forma independente.

Além disso, vivemos um momento em que a tecnologia tornou mais fácil transformar experiência em serviços, consultorias, mentorias, treinamentos e soluções especializadas. O que antes dependia de grandes estruturas físicas ou investimentos elevados, hoje pode ser construído a partir da própria bagagem profissional.

Outro fator importante é a busca por autonomia. Muitas pessoas não querem necessariamente trabalhar menos, mas desejam ter mais controle sobre suas escolhas, sua agenda e seus projetos. Isso tem impulsionado profissionais experientes a enxergarem o empreendedorismo como uma alternativa viável para construir uma nova etapa da carreira.

 

O que tem motivado profissionais experientes a buscarem a via do empreendedorismo?

 

Existe uma combinação de fatores econômicos e emocionais. De um lado, profissionais experientes percebem que depender de uma única fonte de renda se tornou cada vez mais arriscado. De outro, muitos chegam a um momento da carreira em que começam a questionar se o sucesso que construíram ainda faz sentido para a vida que desejam viver.

É muito comum encontrar mulheres e homens que alcançaram cargos de liderança, reconhecimento e estabilidade financeira, mas que sentem falta de autonomia, propósito ou realização. Eles não querem descartar tudo o que construíram. Pelo contrário. Querem encontrar uma forma mais inteligente de utilizar sua experiência.

O empreendedorismo surge como um caminho para transformar anos de conhecimento, reputação e vivência em um patrimônio profissional próprio, sem necessariamente romper de forma abrupta com a carreira atual.

 

Por qual motivo geralmente profissionais experientes falham quando tentam monetizar o que sabem?

 

O principal motivo é acreditar que conhecimento, sozinho, gera negócio.

A maioria desses profissionais possui excelente domínio técnico. O problema é que empreender exige competências diferentes daquelas que os fizeram ter sucesso dentro das organizações. Saber fazer não é a mesma coisa que saber estruturar uma oferta, comunicar valor, precificar, vender e criar um modelo sustentável.

Muitas pessoas passam anos acumulando cursos, especializações e certificações, quando o que realmente falta é clareza estratégica. Elas possuem conhecimento suficiente, mas não conseguem traduzir esse conhecimento em algo que o mercado compreenda, deseje e esteja disposto a comprar.

O resultado é que acabam presas em tentativas isoladas, dependentes de indicações esporádicas e sem previsibilidade financeira.

 

Por que cobrar mal e entregar demais destrói negócios?

 

Porque cria um modelo financeiramente insustentável.

Profissionais experientes costumam carregar um forte senso de responsabilidade e excelência. Muitas vezes, para compensar a insegurança de cobrar pelo próprio conhecimento, eles passam a entregar muito mais do que foi contratado. Trabalham excessivamente, personalizam tudo, ampliam escopo e acabam consumindo tempo, energia e margem financeira.

O problema é que esse comportamento cria uma equação perigosa: quanto mais trabalham, menos lucram.

Além disso, cobrar abaixo do valor adequado gera um efeito perverso de posicionamento. O mercado começa a enxergar aquele serviço como algo de menor valor, independentemente da qualidade da entrega.

Empresas sustentáveis não são construídas apenas pela capacidade de servir bem. Elas dependem de uma relação equilibrada entre valor gerado, preço praticado e rentabilidade.

 

Como transformar reputação de mercado em uma oferta clara e previsível?

 

O primeiro passo é entender que reputação não é produto.

Muitas pessoas têm reconhecimento profissional, mas não conseguem explicar de forma objetiva qual problema resolvem, para quem resolvem e qual resultado entregam. Enquanto isso não estiver claro, a reputação continuará existindo, mas não necessariamente gerará receita.

Transformar reputação em negócio exige organizar a experiência acumulada em uma proposta de valor compreensível pelo mercado. Isso passa por definir público, estruturar serviços, criar metodologia, posicionamento, precificação e processos comerciais.

Quando isso acontece, a experiência deixa de ser apenas um histórico profissional e passa a funcionar como um ativo econômico.

Eu costumo dizer que muitas profissionais não precisam de mais um curso ou de mais coragem. Elas precisam de estrutura. Porque experiência sem estrutura gera confusão. Estrutura transforma experiência em patrimônio profissional.

Para aprofundar o tema e auxiliar mulheres que estão nesse momento de suas carreiras, Lilian Tostas promove no dia 9 de junho o Café Restart Experience, um evento intimista que acontece no Coco Bambu Pituba, em Salvador, focado em estrutura de negócios, posicionamento e monetização para profissionais. Mais informações estão disponíveis no perfil @liliantostas, no Instagram.

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