

A Polícia Federal avalia solicitar cooperação internacional para rastrear recursos enviados aos Estados Unidos com a finalidade declarada de financiar o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo informações divulgadas pela imprensa, investigadores buscam esclarecer se os valores transferidos foram integralmente utilizados no projeto cinematográfico ou se parte dos recursos teve outra destinação. Entre as hipóteses analisadas está a possibilidade de utilização de recursos para custear despesas ligadas ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos Estados Unidos desde o início de 2025.
As apurações envolvem transferências atribuídas à Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os recursos teriam sido encaminhados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no estado do Texas e responsável por receber parte dos valores destinados à produção do longa-metragem.
O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, citado em reportagens por manter proximidade com integrantes da família Bolsonaro.
Possível abertura de novo inquérito
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou recentemente que considera necessária uma investigação específica para apurar a movimentação financeira relacionada ao projeto audiovisual.
Representações recebidas pela corporação já foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá analisar os elementos apresentados e se manifestar sobre eventual abertura de procedimento investigativo.
A área técnica da PF entende que o caso pode tramitar de forma independente de outras apurações envolvendo o Banco Master, embora a definição final dependa das decisões judiciais e do posicionamento da PGR.
Destino do caso no STF ainda é indefinido
Caso um novo inquérito seja autorizado, existem diferentes cenários para sua tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma das possibilidades é a vinculação às investigações relacionadas ao Banco Master. Outra hipótese seria a conexão com o inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano. Também existe a alternativa de distribuição do processo por sorteio a outro ministro da Corte.
A definição dependerá da análise dos fatos investigados e da eventual conexão com procedimentos já em andamento.
Cooperação internacional será necessária
A eventual quebra de sigilo do fundo sediado nos Estados Unidos dependerá não apenas de autorização judicial no Brasil, mas também dos mecanismos de cooperação jurídica internacional e do aval das autoridades norte-americanas.
O objetivo dos investigadores seria acompanhar o fluxo dos recursos e verificar se os valores foram efetivamente aplicados na produção cinematográfica ou direcionados para outras finalidades.
Além disso, a Polícia Federal avalia utilizar instrumentos de cooperação da Interpol para localizar bens e ativos eventualmente relacionados às investigações financeiras em andamento.
Defesa rejeita acusações
Representantes ligados ao projeto e à família Bolsonaro negam qualquer irregularidade.
Em manifestação pública, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não existe relação entre os recursos destinados ao filme e Eduardo Bolsonaro. Segundo ele, os investimentos foram realizados por meio de estrutura jurídica específica voltada à produção audiovisual e submetida à legislação e aos mecanismos de fiscalização dos Estados Unidos.
Até o momento, não há decisão judicial que confirme irregularidades nas operações investigadas, e o caso permanece em fase preliminar de análise pelas autoridades.
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