

Controle de náuseas e vômitos, alívio da dor, estímulo ao apetite, redução da ansiedade e regulação do humor e do sono são alguns benefícios da terapia de suporte com canabinoides
Planta milenar, a Cannabis sativa dá origem a compostos canabinoides – como o CBD e o THC – que têm conquistado espaço na oncologia pela sua ação potente no alívio dos efeitos adversos dos tratamentos contra o câncer. “O uso dessas substâncias como terapia de suporte complementar durante os tratamentos oncológicos pode trazer inúmeros benefícios na redução dos sinais e sintomas colaterais decorrentes do tratamento ou da própria doença”, explica a oncologista Hamanda Nery, especialista em medicina canabinoide. “A terapia com compostos canabinoides não substitui o tratamento médico convencional, ela funciona como terapia integrativa e complementar para aliviar dores, desconfortos e reações indesejadas, promover o bem-estar e proporcionar mais qualidade de vida ao paciente”, afirma a médica da equipe da Oncoclinicas.
Além de controlar náuseas, vômito, reduzir a ansiedade, diminuir dores, devolver o apetite, regular o humor e o sono, a Cannabis Medicinal aumenta a adesão ao tratamento oncológico e promove mais bem-estar para o paciente durante o enfrentamento da doença. Inúmeros estudos internacionais validam os benefícios do uso de canabinoides como terapia de suporte para pacientes com câncer. A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) reconhece o uso para redução e alivio de sintomas e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) também reconhece o uso de THC e CBD como terapia adjuvante eficaz para reduzir efeitos colaterais decorrentes do tratamento quimioterápico, como náuseas e vômitos.
Existem mais de 100 tipos de fitocanabinoides identificados na planta Cannabis sativa. Atualmente, os mais conhecidos e utilizados na medicina são o THC (Tetrahidrocanabinol) que auxilia no alívio de dores crônicas, controle de náuseas, regulação do humor, estímulo do apetite e regulação do sono e o CBD (Canabidiol), que tem propriedades analgésicas, ansiolíticas e anti-inflamatórias.
O próprio organismo humano produz substâncias endocanabinoides similares aos derivados da Cannabis sativa. Elas promovem a homeostase (equilíbrio interno) do corpo. Trata-se de um sistema bioquímico complexo e essencial para várias funções humanas, como o sono, humor, memória, controle da dor e imunidade. “A Cannabis Medicinal estimula e potencializa o sistema endocanabinoide humano, interagindo com receptores naturais e promovendo respostas clínicas benéficas à saúde”, ressalta Hamanda Nery.
Importância do acompanhamento médico
A terapia canabinoide requer uma indicação altamente criteriosa e um monitoramento médico constante. A médica reforça a importância da indicação e acompanhamento com especialista qualificado para prescrição da Cannabis Medicinal. “É quem vai prescrever, de forma criteriosa e segura, os tratamentos à base de Cannabis, definir e avaliar a real necessidade da indicação, avaliar contraindicações e riscos de interações medicamentosas, indicar qual tipo deve ser utilizado, prescrever a dosagem personalizada e segura, evitar promessas inadequadas e realizar um acompanhamento para que o tratamento aconteça em segurança”.
O uso medicinal da Cannabis Medicinal no Brasil foi aprovado pela ANVISA, mas, para iniciar o tratamento e adquirir as substâncias, o paciente deve apresentar laudo e prescrição médica de um profissional autorizado a prescrever Cannabis Medicinal.
Contraindicações
Apesar dos inúmeros benefícios à saúde, o uso de Cannabis Medicinal tem contraindicações. “Pacientes em tratamento imunoterápico, pessoas com histórico de doenças psiquiátricas graves, insuficiência hepática, doenças cardiovasculares graves (arritmias, histórico de infarto ou insuficiência cardíaca), alergias conhecidas, gestantes e lactantes não devem fazer uso”, explica Hamanda Nery.
“Paciente em uso de anticoagulantes, anticonvulsivantes e antidepressivos podem ter risco de interações medicamentosas com canabinoides e requerem uma avaliação médica muito criteriosa na hora da prescrição”, finaliza a médica.
Crédito: Magnific



