

Os Estados Unidos publicaram, na noite desta segunda-feira (1), decisão sobre chamadas “práticas incoerentes” do Brasil, com proposta de nova tarifa de 25% em alguns produtos brasileiros.
As medidas, previstas na Seção 301 da legislação comercial, abrangem áreas como serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol, segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês).
Presidente voltou a responsabilizar Flávio Bolsonaro pela proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros
O presidente brasileiro ironizou a queixa americana sobre o sistema de pagamentos e cobrou explicações sobre a taxação de 25% aplicada antes do fim do prazo das negociações ministeriais
O órgão propôs as novas tarifas ao divulgar os resultados de sua investigação sobre “práticas comerciais desleais” contra o Brasil, iniciada no ano passado, de acordo com a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Mas deixou de fora alguns itens, como carne bovina, café, terras raras, outros metais e peças de aeronaves das novas tarifas, o que exclui alguns setores da bolsa brasileira dos efeitos de uma nova tarifa.
“Os setores mais vulneráveis seriam aqueles com maior exposição direta às exportações para os Estados Unidos e que não estejam cobertos pelas exceções. Aí entram segmentos industriais, químicos, bens manufaturados, alguns produtos do agronegócio processado, açúcar/etanol e cadeias exportadoras com menor poder de repasse de preço”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Segundo analistas da XP e do Bradesco BBI, a ausência de previsão de tarifas para peças de aeronaves já torna a medida “neutra” para Embraer (EMBJ3). A Tupy (TUPY3) também não correria riscos com a nova tarifação, já que a companhia não têm outros produtos que não sejam abrangidos pela Seção 232.
Isso inclui tarifas de 50% sobre aço, alumínio e cobre e tarifas de 25% sobre produtos acabados fabricados com esses metais, bem como uma tarifa de 25% sobre veículos motorizados e peças automotivas.
A WEG (WEGE3) seria a maior impactada entre as brasileiras. A companhia já tem parte de seu portfólio exposta à Seção 232, principalmente transformadores e motores acima de 200 HP. Como explicam os analistas do BBI, a maioria dos motores de ciclo curto (abaixo de 200 HP) foi isenta e, portanto, seria impactada pela nova tarifa de 25% sob a Seção 301 dessa vez.
A companhia depende do México como principal polo de produção, já que não exporta transformadores do Brasil para os EUA. No país vizinho, os produtos já são alvo da 232, com cerca de 15% de tarifação para transformadores de potência e 25% para transformadores de distribuição. Incorporando a tarifa mais alta do Brasil (de 10% para 25%), somada à exposição já existente à Seção 232, analistas da XP estimaram impacto incremental de aproximadamente 80 pontos-base na margem de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês). mantido o restante constante.
As perspectivas de melhoria de margem da companhia em relação ao ambiente tarifário do 1T26, devem se tornar um pouco mais limitadas. Além disso, o ambiente tarifário em constante mudança torna mais difícil para a WEG planejar redirecionamentos de produção ou outras iniciativas de mitigação, segundo a XP.
Mesmo assim, os analistas da corretora estimam que os impactos totais relacionados a tarifas ainda permanecem menores em comparação ao período em que as tarifas afetavam a WEG de forma mais significativa, quando as tarifas sobre o Brasil estavam em 50%.
Fora do impacto indireto, o BBI cita Fras-le e Randoncorp (RAPT4) como indiretamente afetadas negativamente. As duas companhias, hoje, têm vantagem competitiva em relação a outros mercados. Essa dinâmica se perderia com uma nova tarifa em vigor. A visão não é compartilhada pela XP, que considera que os nomes já arcavam com a tarifa prevista na Seção 232.
(Foto: Freepik)