

A inadimplência de aluguel na Bahia segue caindo e registra a menor taxa dos últimos dez meses, com 4,62% em junho, variação de 1,13 ponto porcentual ante os 5,75% de maio. No comparativo com o mesmo período de 2025 (4,10%), porém, houve um aumento de 0,52 p.p.. Apesar da queda, a taxa no estado também ficou acima da média nacional, que foi de 3,20%. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para o mercado do morar.
Segundo Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, “a queda da inadimplência na Bahia pode indicar um esforço das famílias para retomar o controle do orçamento, mas o cenário ainda é preocupante. Mesmo após duas baixas consecutivas, em maio e agora em junho, ainda é cedo para determinar uma tendência de melhora. É importante seguir de olho nas projeções de aumento na inflação e nas taxas de juros, que são fatores determinantes para a estabilidade financeira no curto prazo e podem impactar ainda mais a capacidade de pagamento das famílias e, consequentemente, o aluguel”.
Mesmo com o recuo, o estado da Bahia tem uma das maiores inadimplências entre os estados brasileiros, mas está abaixo da média da região Nordeste, que fechou junho com taxa de 5,15% e lidera o ranking nacional desde fevereiro deste ano, reforçando um cenário de maior pressão no mercado local. A região Norte ficou em segundo lugar no ranking das regiões brasileiras, com 4,30%, também em queda, de 0,08 ponto porcentual, ante os 4,38% de maio. Na sequência vêm as regiões Centro-Oeste (3%, aumento de 0,15 p.p.) e Sudeste (2,96%, ante 3,15% em maio), que inverteram suas posições se comparado aos resultados do mês anterior. Por fim, o Sul se mantém com a menor taxa do país, com 2,71%, apesar do leve aumento de 0,04 p.p. em relação ao último registro (2,67%).
No Nordeste, os imóveis comerciais continuam liderando a inadimplência de aluguel, com 7,23% em junho, mesmo com queda de 0,61 ponto percentual em relação a maio (7,84%). Em seguida, aparecem as casas, com 6,24% – após avanço contra os 5,76% do mês anterior –, e os apartamentos que registraram queda de 3,85% para 3,52% no período.
No âmbito nacional, entre a base nacional analisada por faixa de valor, os imóveis comerciais de até R$ 1.000 apresentaram queda (-0,20p.p.), mas ainda preocupam pois concentram a maior taxa de inadimplência, de 7,40%, bem acima da média nacional. A mesma faixa de preço nos imóveis residenciais também é a maior na categoria, com 6,27%. “Os aluguéis mais baixos, em ambos os casos, acabam sendo impactados pela sensibilidade econômica das micro e pequenas empresas, que enfrentam desafios financeiros nesse início de jornada, e das famílias de menor renda em detrimento ao custo de vida”, explica Gonçalves.
No geral, quase todas as faixas tiveram queda em junho, com exceção para os comerciais com aluguel de R$ 5.000 a R$ 8.000, que fecharam em 3,90% (+0,11p.p.). Já as faixas com menor inadimplência no período foram as de imóveis residenciais de R$ 3.000 e R$ 5.000, com 1,68%; e comerciais de R$ 2.000 a R$ 3.000, com 3,36%.
Já os aluguéis acima de R$ 13.000 ocupam a segunda posição no ranking de maior inadimplência, fechando junho com 4,63% para os comerciais e 5,42% para os residenciais. Apesar disso, ambos são resultados do recuo de 0,27 e 0,74 p.p., respectivamente. “Essa faixa [acima de R$ 13.000] costuma concentrar um perfil de locatários formado por empreendedores, comerciantes e empresários. Um público com renda familiar em geral três vezes maior que o aluguel, mas exposto a uma pressão real de carga tributária, giro mais fraco da economia e crédito caro. Enquanto esse cenário persistir, deve puxar essa taxa de forma significativa”, analisa Gonçalves.
Na análise por tipo de imóvel, também houve queda nos três segmentos em junho. Os comerciais seguem com maior taxa, de 4,19%, mesmo com queda de 0,20p.p. em relação a maio (4,39%). As casas registraram queda de 3,69%, em maio, para 3,45%, em junho. Já os apartamentos tiveram índice de 2,16%, em junho, ante 2,35%, em maio.
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