segunda, 14 de setembro de 2026
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ADVOGADO DO BANCO MASTER USOU CÓDIGO PARA TRATAR DE APARTAMENTO LIGADO A JAQUES WAGNER, DIZ FOLHA

VICTOR OLIVEIRA - 14/09/2026 14:30

O advogado Daniel Monteiro, ligado ao Banco Master, utilizou uma linguagem que a Polícia Federal considera cifrada ao tratar da negociação de um apartamento de luxo em Salvador envolvendo Guilherme Sodré, homem de confiança do senador Jaques Wagner (PT-BA). As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo.

Segundo a reportagem, o imóvel fica no residencial Poème Horto e era avaliado em R$ 2,45 milhões. A investigação indica que Wagner pediu ao empresário Augusto Lima, conhecido como Guga Lima, que adquirisse o apartamento, que posteriormente seria destinado à filha do senador.

Em uma conversa de 18 de dezembro de 2025, encontrada no celular de Daniel Monteiro, o advogado afirmou a Guilherme Sodré que “a altura do vão é 2,45m”. Para a PF, a expressão sugere o uso de “linguagem cifrada” com o objetivo de dificultar a compreensão do conteúdo efetivo da conversa.

Ainda conforme os documentos citados pela Folha, Wagner havia encaminhado a Augusto Lima, em 26 de novembro de 2024, o contato de um gerente da construtora Moura Dubeux, responsável pelo empreendimento, acompanhado de informações sobre o apartamento de R$ 2,45 milhões.

Wagner já havia admitido, em junho, que tratou da compra do imóvel com Augusto Lima. Na ocasião, afirmou que pretendia ajudar a filha na aquisição do apartamento e que pediu ao empresário que comprasse inicialmente a unidade para que ele pudesse recomprá-la posteriormente.

“Eu tinha interesse em dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’”, afirmou o senador à Folha.

Os documentos da PF também registram o envio de vinhos de luxo por Augusto Lima a Wagner e a Guilherme Sodré, conhecido como Guiga. Segundo a reportagem, as garrafas tinham valores entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil.

O material integra as investigações sobre o Banco Master e foi tornado público após decisão do Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, Edson Fachin, determinou a publicidade dos documentos, medida cumprida pelo relator do caso, ministro André Mendonça.

Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho, depois de ser alvo de uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de pagamentos relacionados ao Banco Master. O senador tem negado ter recebido repasses ilícitos da instituição.

Foto: Heuler Andrey/ AFP

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