sexta, 04 de setembro de 2026
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VORCARO CITA PROPINA EM DOAÇÕES A BOLSONARO E TARCÍSIO EM PROPOSTA DE DELAÇÃO

Bruna Carvalho - 04/09/2026 09:25 - Atualizado 04/09/2026

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que os R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 fariam parte de uma negociação envolvendo suposta propina no governo de São Paulo. As informações foram reveladas pelo portal UOL.

Segundo o relato, R$ 2 milhões foram destinados à campanha de Bolsonaro, que disputava a Presidência, e R$ 3 milhões à de Tarcísio, eleito governador de São Paulo. Os repasses foram oficialmente registrados em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero.

Vorcaro classificou os valores como “contrapartidas financeiras” relacionadas a um suposto “ajuste indevido” com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, para garantir a continuidade do Credcesta no governo paulista.

Segundo a proposta de delação, Augusto Lima, então sócio do Banco Master e responsável pela expansão do Credcesta, teria buscado garantir a manutenção do negócio diante da possibilidade de vitória de Tarcísio nas eleições de 2022.

O Credcesta é um cartão de crédito consignado utilizado por empresas ligadas ao grupo Master em operações financeiras. Segundo Vorcaro, o negócio havia começado ainda durante a gestão de João Doria, então filiado ao PSDB.

“Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, afirmou o ex-banqueiro no documento.

Suposto acordo com Kassab
Ainda de acordo com Vorcaro, o suposto acordo previa o pagamento de 5% do resultado líquido das operações realizadas por meio do Credcesta, além de contribuições para campanhas de partidos aliados.

Inicialmente, o pagamento destinado às campanhas seria feito integralmente em dinheiro. Segundo o relato, Kassab ou seus interlocutores teriam informado que era necessário cumprir compromissos com partidos parceiros, que aceitariam apenas doações oficiais.

“O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Todavia, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”, diz outro trecho da proposta.

Além dos R$ 5 milhões destinados às campanhas de Bolsonaro e Tarcísio, Vorcaro afirmou que outros R$ 10 milhões teriam sido pagos em espécie a supostos intermediários ligados a Kassab. Segundo o ex-banqueiro, a informação recebida era de que o dinheiro seria destinado às campanhas do PSD.

Augusto Lima teria atuado como interlocutor das negociações. De acordo com o relato, ele teria evitado fazer diretamente as doações por possuir ligação com o PT.

O objetivo do grupo Master, segundo Vorcaro, seria garantir a continuidade dos contratos de crédito consignado com o governo paulista durante a gestão de Tarcísio.

Kassab e Tarcísio negam envolvimento
Gilberto Kassab afirmou que nunca tratou de doações com Daniel Vorcaro ou Augusto Lima e disse não ter relação com o ex-banqueiro.

A defesa de Tarcísio também negou qualquer vínculo do governador com Vorcaro. Em nota, afirmou que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores, respeitou a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil e Reprodução / Youtube

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