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ONU APROVA RESOLUÇÃO PARA MUDAR REPRESENTAÇÃO DOS CONTINENTES NOS MAPAS

VICTOR OLIVEIRA - 04/09/2026 17:16

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta sexta-feira (4) uma resolução que incentiva a adoção de mapas capazes de representar os continentes de maneira mais próxima de suas dimensões reais. A proposta recebeu 164 votos favoráveis e teve apenas um voto contrário, dos Estados Unidos.

Batizada de “Corrija o mapa”, a iniciativa conta com apoio da União Africana e questiona principalmente o uso da projeção de Mercator, modelo desenvolvido no século 16 para auxiliar a navegação marítima e que continua presente em escolas, mapas digitais, meios de comunicação e documentos oficiais.

A projeção de Mercator preserva determinadas características importantes para a navegação, mas distorce o tamanho das áreas terrestres à medida que elas se aproximam dos polos. Por esse motivo, regiões como a Groenlândia podem parecer visualmente muito maiores do que são, enquanto áreas próximas à linha do Equador, como partes da África e da América Latina, aparentam ter dimensões menores.

O texto aprovado pela ONU destaca que a representação cartográfica pode influenciar não apenas a compreensão geográfica, mas também percepções de natureza educacional, cultural, cognitiva e geopolítica. A resolução defende, portanto, o uso de alternativas que apresentem uma relação mais equilibrada entre os diferentes territórios.

Entre os modelos citados está a projeção Equal Earth, conhecida em português como “Terra Igual”, apoiada pela União Africana. O sistema procura manter as proporções relativas entre as áreas dos continentes de forma mais fiel à realidade.

Apesar da aprovação, a resolução não determina que a projeção de Mercator seja abandonada. O objetivo é incentivar governos, organismos internacionais e outras instituições a avaliar modelos cartográficos que apresentem menos distorções na representação das áreas terrestres.

Antes da votação, o ministro das Relações Exteriores de Togo, Robert Dussey, responsável por liderar a iniciativa, defendeu a proposta como uma forma de valorizar a “verdade científica”. Segundo ele, o debate também está relacionado à maneira como diferentes povos e regiões são percebidos a partir da representação visual do planeta.

A iniciativa também foi associada ao Pacto para o Futuro, aprovado pelos países-membros da ONU em 2024, que estabelece compromissos para enfrentar desigualdades históricas e estruturais.

A decisão abre espaço para que diferentes instituições passem a considerar projeções alternativas em materiais educacionais, documentos e ferramentas digitais, sem estabelecer uma substituição obrigatória do modelo atualmente utilizado.

 Foto: Reproduçãio/equal-earth.com

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