

A Bahia aparece na liderança nacional quando o assunto é a participação de mulheres pretas entre as candidaturas femininas nas eleições de 2026. Segundo levantamento realizado pelo GLOBO, a partir das informações oficiais divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre as candidaturas femininas registradas na Bahia, 30,29% são de mulheres que se autodeclararam pretas. O índice é o único entre os estados brasileiros a ultrapassar a marca de 30%.
Quando são consideradas conjuntamente as candidatas pretas e pardas, a participação chega a 80,05% das candidaturas femininas no estado. O percentual coloca a Bahia também no topo do ranking nacional, com uma vantagem superior a oito pontos percentuais em relação ao Piauí, segundo estado com maior proporção de candidaturas negras.
Os números acompanham, em grande medida, o perfil racial da população baiana. De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 57% das mulheres que vivem na Bahia se declararam pardas, enquanto aproximadamente 22% se identificaram como pretas. Juntos, os dois grupos representam mais de 79% da população feminina do estado.
Sul concentra maior percentual de candidatas brancas
O cenário é diferente na região Sul. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná apresentam os maiores percentuais de candidatas brancas entre os estados brasileiros.
O Rio Grande do Sul aparece na primeira posição, com 76,39% das candidaturas femininas formadas por mulheres brancas. Santa Catarina vem logo depois, com 75,89%, enquanto o Paraná registra 71,67%.
Entre esses estados, Santa Catarina apresenta também o menor percentual de candidatas pretas e pardas, com 21,74%.
Norte se destaca entre candidatas indígenas
Os dados também mostram diferenças na distribuição das candidaturas femininas de acordo com a raça declarada.
Roraima apresenta o maior percentual de mulheres indígenas entre as candidatas, com 5,04%. O Amazonas aparece em seguida, com 4,94%, enquanto Mato Grosso do Sul ocupa a terceira posição, com 4,05%.
Na categoria de mulheres autodeclaradas amarelas, o maior índice é registrado no Acre, onde elas representam 2,84% das candidaturas femininas.
Outros três estados ultrapassam 1% nessa categoria: Distrito Federal, com 1,74%, Mato Grosso do Sul, com 1,35%, e Paraná, com 1,11%. Em oito unidades da Federação não houve registro de candidatas autodeclaradas amarelas.
Mulheres ainda são minoria entre as candidaturas
Apesar do crescimento em relação às eleições de 2022, a participação feminina entre as candidaturas ainda está abaixo da proporção de mulheres na população brasileira.
Em 2026, as mulheres representam 34,85% das candidaturas, contra 33,27% no pleito anterior. A parcela continua distante da presença feminina na população, que chega a 51,5%, equivalente a aproximadamente 104,5 milhões de brasileiras.
Entre os eleitores, a diferença também é significativa. As mulheres representam 52,8% do eleitorado apto a votar em 2026, com cerca de 83,9 milhões de eleitoras. O número supera o de homens em mais de nove milhões.
Apenas um partido tem maioria feminina nas candidaturas
A desigualdade também aparece quando são comparadas as candidaturas de homens e mulheres dentro dos partidos.
Entre as 30 legendas aptas a participar das eleições de 2026, apenas uma apresenta maioria feminina entre seus candidatos: a Unidade Popular (UP).
A legenda possui 100 mulheres entre os 186 postulantes registrados, o que corresponde a 53,76% das candidaturas.
Os dados mostram que, apesar do avanço na presença feminina nas urnas como candidatas e eleitoras, a representação das mulheres na disputa por cargos eletivos ainda permanece abaixo da proporção que elas ocupam na sociedade brasileira.
Foto: Montagem/Reprodução TSE



