

A inadimplência de aluguel na Bahia registrou alta em julho e ficou em 4,83%, uma variação de 0,21 ponto percentual ante os 4,62% de junho. No comparativo com o mesmo período de 2025, onde registrou 3,93%, houve um aumento de 0,90 p.p. Apesar da alta, a taxa no estado permaneceu abaixo da média da região Nordeste, que foi de 4,88%, mas acima da média nacional, que fechou julho em 3,05%. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário, apresentados no Next 2026, maior festival de conhecimento do setor no Brasil.
Segundo Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, a alta da inadimplência na Bahia merece atenção, especialmente após duas quedas consecutivas nos meses anteriores. “Ainda é cedo para determinar uma tendência de piora, mas é importante seguir de olho nas projeções de inflação e nas taxas de juros, fatores que influenciam diretamente a estabilidade financeira das famílias e podem impactar a capacidade de pagamento dos aluguéis”, avalia.
No Nordeste, os imóveis comerciais continuam liderando a inadimplência de aluguel, fechando julho em 7,18%, queda de 0,05 ponto percentual em relação a junho (7,23%). Em seguida, aparecem as casas, com 5,59%, também em queda ante os 6,24% registrados no mês anterior. Os apartamentos também apresentaram redução, passando de 3,52% em junho para 3,44% em julho.
A região Nordeste segue liderando o ranking nacional, mas fechou julho em queda, com taxa de 4,88% ante 5,15% em junho, redução de 0,27 p.p. O Norte aparece em segundo lugar, com 4,04%, após queda de 0,26 ponto percentual em relação a junho (4,30%). Na sequência vêm as regiões Centro-Oeste (2,80%) e Sudeste (2,78%), ambas com queda em relação ao mês anterior, quando registraram 3% e 2,96%, respectivamente. Por fim, o Sul mantém a menor taxa do país, com 2,67%, após recuo de 0,04 p.p. em comparação a junho (2,71%).
Em âmbito nacional, a análise por valor apontou que os imóveis comerciais de até R$ 1 mil apresentaram queda de 0,13p.p. Porém ainda preocupam, pois concentram a maior taxa de inadimplência: de 7,27%, bem acima da média nacional. A mesma faixa de preço nos imóveis residenciais também é a maior na categoria, com 5,99%.
A maioria das faixas analisadas apresentou queda em julho. Nos imóveis residenciais, um dos maiores recuos ocorreu entre os aluguéis acima de R$ 13 mil, cuja taxa caiu 0,58 ponto percentual, para 4,84%. Nos comerciais, a faixa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil passou de 3,90% em junho para 3,77% em julho. As menores taxas do mês foram registradas nos imóveis residenciais entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com 1,74%, e nos comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,42%.
“Mesmo com uma queda na inadimplência em nível nacional, a concentração das maiores taxas entre os aluguéis residenciais de menor valor é um ponto de atenção. Esse resultado mostra que a inadimplência não se distribui de maneira uniforme pelo mercado e reforça a importância de acompanhar como o orçamento das famílias evolui nos próximos meses”, analisa Gonçalves. “Em um cenário de juros ainda elevados e de pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de absorver imprevistos e manter compromissos como o aluguel em dia. Por isso, é importante acompanhar a evolução desse recorte nos próximos meses”.
Na análise por tipo de imóvel, os três segmentos registraram queda em julho. Os imóveis comerciais continuam com a maior taxa, de 4,17%, ante 4,19% em junho. Nas casas, o índice caiu de 3,45% para 3,29%, enquanto nos apartamentos passou de 2,16% para 2,14%.
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