

A Braskem protocolou nesta segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para reestruturar uma dívida de aproximadamente R$ 54 bilhões, valor equivalente a cerca de US$ 10 bilhões. A medida ocorre em meio à forte pressão financeira enfrentada pela petroquímica e abre um período de proteção para que a companhia negocie novas condições de pagamento com os credores.
Com o pedido, a empresa terá 90 dias de proteção judicial para avançar nas negociações e estruturar um plano definitivo de reestruturação. O objetivo é revisar prazos, valores e demais condições dos compromissos financeiros, evitando uma escalada de cobranças e execuções contra a companhia.
Entre os principais credores da Braskem estão detentores de títulos de dívida, Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. A maior parte do passivo está denominada em dólares, o que aumenta a exposição da empresa às oscilações cambiais.
A situação financeira da companhia se agravou após um período prolongado de dificuldades no setor petroquímico, marcado por preços pressionados e redução das margens. A empresa também enfrenta impactos financeiros relacionados ao caso do afundamento do solo em Maceió, em Alagoas, associado à exploração de sal-gema.
Apesar das dificuldades, a Braskem apresentou melhora recente nos resultados. A companhia encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 4,5 bilhões, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira. Ainda assim, o elevado endividamento e a pressão sobre o caixa mantiveram a necessidade de uma reestruturação.
No segundo trimestre, a petroquímica também registrou lucro de R$ 3,33 bilhões, revertendo prejuízos anteriores. O resultado positivo, porém, não foi suficiente para eliminar as preocupações relacionadas à liquidez e ao volume de compromissos financeiros.
A pressão sobre a companhia aumentou depois que a Fitch Ratings rebaixou a classificação de crédito da Braskem para RD (inadimplência restrita). A agência tomou a decisão após a empresa não realizar o pagamento de juros de determinadas obrigações dentro do período de carência.
No fim do primeiro semestre, a Braskem possuía cerca de US$ 12,1 bilhões em dívidas e US$ 1,1 bilhão em caixa, segundo informações divulgadas pela imprensa. A diferença evidencia a dimensão do passivo que a companhia pretende reorganizar com os credores.
A recuperação extrajudicial permite que a Braskem negocie diretamente com grupos de credores um acordo para reorganizar suas dívidas. Diferentemente da recuperação judicial tradicional, o processo é construído por meio de negociações com os credores e posteriormente submetido à homologação da Justiça.
A companhia é atualmente controlada pela IG4 Capital e pela Petrobras. A mudança no controle ocorreu recentemente, após a IG4 assumir a participação que pertencia à Novonor, antiga Odebrecht. A nova gestão tem buscado reorganizar a estrutura financeira da petroquímica e criar condições para a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
Além da situação no Brasil, a Braskem também acompanha a reestruturação de sua operação no México. A Braskem Idesa, joint venture da companhia brasileira com o Grupo Idesa, entrou recentemente com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos pelo Chapter 11, envolvendo uma dívida que deve ser reduzida de aproximadamente US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão.
Agora, a principal tarefa da Braskem será chegar a um acordo com os credores durante o período de proteção de 90 dias. Os detalhes finais sobre descontos, prazos, garantias e condições de pagamento ainda dependem das negociações que serão conduzidas pela companhia.
foto= Imagem: Diego Vara/Reuters