

A utilização de inteligência artificial nas campanhas eleitorais enfrenta forte resistência entre os brasileiros. Segundo pesquisa Quaest encomendada pelo jornal O Globo, 73% dos entrevistados afirmam desaprovar o uso de ferramentas de inteligência artificial por candidatos nas eleições de 2026. Apenas 21% declararam ser favoráveis ao recurso.
A rejeição aparece em diferentes faixas etárias. Entre os eleitores com até 34 anos, 68% desaprovam o uso de imagens produzidas artificialmente em campanhas. O percentual aumenta entre os entrevistados com mais de 60 anos, chegando a 76%.
O resultado ocorre em um momento em que recursos de inteligência artificial já começam a aparecer na comunicação política, inclusive durante eventos de pré-campanha. A utilização da tecnologia tem levantado discussões sobre transparência, manipulação de imagens e a necessidade de estabelecer limites para conteúdos produzidos artificialmente.
Um dos episódios que chamou atenção envolveu um vídeo produzido com inteligência artificial no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece manifestando apoio à candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, nas eleições de 2026.
A utilização da tecnologia no material também provocou debates jurídicos, diante das restrições impostas a Jair Bolsonaro, que incluem limitações relacionadas à comunicação pública e ao uso de dispositivos eletrônicos.
O avanço das ferramentas de inteligência artificial coloca a Justiça Eleitoral diante do desafio de estabelecer critérios para o uso de conteúdos sintéticos durante a campanha. Entre as principais preocupações está a circulação de deepfakes, capazes de criar ou alterar imagens, vídeos e áudios para fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que não ocorreu.
O Supremo Tribunal Federal também acompanha o tema. Uma reunião foi remarcada para esta terça-feira (18) para discutir a utilização da ferramenta relacionada à campanha de Flávio Bolsonaro e a aplicação das regras sobre conteúdos manipulados durante o período eleitoral.
A discussão ocorre em meio ao crescimento do uso de tecnologias generativas na comunicação política. Para além da criação de peças publicitárias, as ferramentas podem ser utilizadas na produção de vídeos, imagens, áudios e outros materiais destinados às redes sociais.
Os números da pesquisa Quaest mostram, porém, que a popularização da tecnologia não significa necessariamente aceitação por parte do eleitorado. A maioria dos entrevistados demonstra resistência ao uso de inteligência artificial por candidatos, reforçando o debate sobre transparência e identificação de conteúdos produzidos artificialmente nas campanhas de 2026.
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